Chefe mais procurado do ETA é preso na França

María Luisa González. Madri, 17 nov (EFE).- Mikel Garikoitz Aspiazu, mais conhecido como Txeroki e apontado como chefe militar do ETA e alvo número um das forças de segurança espanholas, foi detido hoje na França, no que representa um novo e duro revés para a organização terrorista.

EFE |

O ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, explicou o rastro que levou à detenção do membro mais procurado do ETA, a quem se responsabiliza pela quebra da trégua declarada em 2006 e dos últimos assassinatos do grupo terrorista, que procura há 40 anos pelas armas a independência do País Basco.

Rubalcaba agradeceu a colaboração das forças de segurança francesas que trabalham com a Guarda Civil espanhola em equipes conjuntas, cuja colaboração culminou com a detenção de Txeroki.

O acompanhamento das placas colocadas em um veículo Peugeot 207 roubado conduziu à sua captura, porque se descobriu que elas "correspondem a outro tempo", disse o ministro, referindo-se ao fato de que elas eram demais antigas para um modelo recente.

Segundo outras fontes, teve um papel decisivo na localização do chefe militar do ETA o descobrimento, há um mês pelos serviços de inteligência espanhóis, de duas contas de e-mail utilizadas por ele.

Perguntado sobre esta pista em particular, Rubalcaba afirmou que "não é segredo para ninguém que a quadrilha terrorista ETA utiliza cibercafés".

Txeroki, de 35 anos, que em pouco tempo assumiu o controle do aparato militar (comandos ou grupos operacionais da quadrilha) após participar ativamente de ações no País Basco, sendo considerado como partidário da linha mais violenta do grupo.

É atribuído a ele o rompimento da trégua que a organização havia declarado em março de 2006, com um atentado no aeroporto de Madri em 30 de dezembro do mesmo ano, que matou dois imigrantes equatorianos.

Esse atentado representou o fim de um processo de dialogo empreendido pelo Governo de José Luis Rodríguez Zapatero para buscar uma saída negociada à violência.

Além disso, ele é vinculado diretamente ao assassinato de dois jovens guardas civis Raúl Centeno e Fernando Trapero, baleados em 1º de dezembro na cidade francesa de Capbreton, após serem vistos por membros da ETA na cafeteria de um posto de gasolina.

O ministro do Interior destacou hoje o fato de que em apenas seis meses o ETA perdeu seu chefe militar e a seu chefe "político", este último Francisco Javier López Peña "Thierry", detido em maio também na França, na cidade de Bordeaux.

Garikoitz Aspiazu tem 22 julgamentos pendentes na Espanha, entre eles o do assassinato dos dois guardas civis em Capbreton e o do atentado no aeroporto de Madri-Barajas, por que pode ser entregue em breve de forma temporária pelas autoridades francesas à Justiça espanhola.

A casa onde ele foi detido, junto com Leire López Zurutuza, em Cauterets, próxima à fronteira com a Espanha, havia sido alugada na quinta-feira para estadia de uma semana.

Em seu interior foram encontrados dois computadores portáteis, duas pistolas, material de informática e documentação falsa britânica, francesa e espanhola, além de uma peruca utilizada por Txeroki.

O presidente do Governo espanhol destacou o "duro golpe" que sofreu hoje o ETA com a detenção de seu chefe militar, que classificou de "uma ação determinante" o fim da quadrilha.

A detenção representa, acrescentou, que "hoje o ETA é mais frágil e a democracia espanhola, mais forte", mas ao mesmo tempo advertiu que a organização terrorista "não perdeu sua capacidade de causar dor" e que a luta contra o terrorismo é "longa".

Zapatero falou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, para lhe agradecer pelo trabalho que permitiu a detenção e ambos combinaram de se reunir para avaliar o trabalho conjunto de política antiterrorista em uma data ainda por decidir.

A detenção de Txeroki foi celebrada pelas forças políticas espanholas e as associações de vítimas do terrorismo.

O líder da oposição, o presidente do Partido Popular, Mariano Rajoy, disse que "detê-los, aplicar-lhes a lei e colocar-lhes na prisão" é o único caminho com os terroristas.

O Governo basco, através de seu porta-voz Miren Azkarate, classificou a prisão de "boa notícia" e expressou o "apoio total" do Executivo dessa comunidade autônoma do norte da Espanha à atuação policial contra o ETA.

Esta organização terrorista surgiu no País Basco há quatro décadas, nas quais assassinou mais de 850 pessoas. EFE nac-mlg/jp

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