Chefe do Pentágono não espera ataque israelense contra Irã

Londres, 2 abr (EFE).- O secretário da Defesa americano, Robert Gates, não espera que Israel lance este ano um ataque preventivo contra o Irã para impedir que Teerã desenvolva armas nucleares.

EFE |

"Ficaria surpreso se agissem este ano", afirma Gates, em declarações publicadas hoje pelo jornal "Financial Times".

Segundo o chefe do Pentágono, os Estados Unidos e Israel ainda têm tempo para convencer o Irã a abandonar qualquer tentativa com esse objetivo militar.

Gates não espera também que Teerã "cruze linha vermelha" este ano, em alusão à fabricação iraniana da arma atômica.

"Acho que temos mais tempo do que isso. Quanto? Não sei. Talvez um ano, dois, três anos", afirma.

Israel reacendeu no ano passado o fantasma da guerra ao realizar grandes manobras militares nas quais alguns especialistas viram como um teste para um eventual ataque contra o Irã.

Essa ameaça fez com que o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o almirante Mike Mullen, tomou a rara iniciativa de advertir Israel em público contra essa tentação.

Em sua entrevista ao jornal britânico, Gates pede, por outro lado, à Europa para fornecer mais recursos para fortalecer as Forças Armadas afegãs e enviar especialistas civis em áreas como agricultura, saúde e água potável, além de instrutores para a Polícia desse país asiático.

"Interessa-nos fornecer instrutores para a Polícia nacional afegã, e isso é algo em que os europeus têm realmente a capacidade técnica necessária", explica o secretário americano.

Gates reconhece que suas chamadas aos dirigentes europeus para que convençam seus cidadãos de que o êxito no Afeganistão é crucial para sua própria segurança não deram o resultado esperado.

"Não vi os esforços que esperava por parte dos Governos europeus ao persuadir os cidadãos de que os ataques (terroristas) como os de Madri e Londres se originaram na zona fronteiriça entre Paquistão e Afeganistão", afirma o chefe do Pentágono.

"Esse problema é uma grande ameaça tanto para os europeus quanto para nós", afirma Gates, que reclama de não ter visto "o mesmo esforço" para convencer o público na Europa continental quanto no Reino Unido. EFE jr/an

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