Chefe do Parlamento do Irã acusa CIA e Mossad por morte de cientista

TEERÃ - O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, acusou nesta quarta-feria a CIA (agência de inteligência americana) e o Mossad (serviços secretos de Israel) pelo assassinato do cientista Massoud Ali Mohammadi, que morreu na terça-feira em um atentado com uma motocicleta-bomba em Teerã.

EFE |

"Em dias anteriores, recebemos informação clara de que os serviços de inteligência sionistas e a CIA tentavam atentar em Teerã, talvez convencidos de que tinham alguma possibilidade, devido a alguns conflitos internos no país, para assustar os intelectuais e prejudicar o programa nuclear", afirmou Larijani, perante o Parlamento.

Larijani apontou "um grupo monárquico sem credibilidade", em aparente alusão ao movimento opositor com sede em Londres Associação para a Monarquia, como responsável direto do ataque.

Esse grupo negou seu envolvimento no ataque, em comunicado repercutido por sites iranianos administrados pela oposição.

"Que os EUA e o regime sionista tenham se apoiado neste tipo de grupos não críveis para realizar suas ambições é um novo escândalo para (o presidente americano, Barack) Obama", acrescentou o político, citado pela agência de notícias iraniana "Isna".

Larijani, ex-negociador nuclear iraniano, advertiu a Washington que não poderá preencher seus "buracos políticos" com ações deste calibre, e insistiu em que fortalecerão o desenvolvimento atômico iraniano.

"Este tipo de ato terrorista está destinado ao fracasso, já que a nação iraniana protegerá seus sucessos nucleares com maior determinação", concluiu.

O assassinato de Mohammadi, ocorrido em meio à crise política e social que há sete meses divide o Irã, está envolvido em contradições.


Policiais observam local do atentado em Teerã / AP

O regime iraniano afirma que era um cientista "comprometido" com a Revolução, enquanto a oposição insiste em que tinha dado seu apoio ao movimento pró-reformista, liderado pelo ex-primeiro-ministro Mir Hussein Moussavi e que acusa o governo de ter fraudado as eleições presidenciais de junho do ano passado.

Crise política

É o primeiro atentado destas características que se tem notícia em Teerã desde o último dia 13 de junho, quando começou a crise política e social que divide o país.

Na data, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas do país para protestar pela reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fruto de uma "fraude maciça".

Desde então, as mobilizações se repetiram ao longo do país apesar de ações repressivas das Forças de Segurança e da prisão de milhares de pessoas, muitas delas responsáveis da oposição.

A crise se agravou no dia 27 de dezembro, dia sagrado da Ashura, quando os protestos voltaram a ter violência, com a morte de pelo menos oito pessoas, segundo números oficiais.

Além disso, nos dias seguintes foram detidos mais de uma centena de ativistas da oposição, jornalistas e estudantes universitários.

* Com EFE e AFP

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