Londres, 10 ago (EFE).- O chefe do MI6 britânico, John Scarlett, negou hoje que os serviços de espionagem tenham sido cúmplices de torturas a suspeitos de terrorismo depois que um comitê parlamentar pediu uma investigação para esclarecer estas alegações.

"Não houve tortura e não há cumplicidade com a tortura", disse Scarlett em entrevista concedida à "BBC", na qual ressaltou o compromisso de seus agentes com o respeito aos direitos humanos.

O chefe da inteligência britânica também defendeu a independência do MI6 das práticas da espionagem americana e ressaltou que "trabalhamos para os interesses britânicos; somos um serviço independente que funciona sob suas próprias leis, e não sob as de outros, e com nossos próprios valores".

No entanto, Scarlett pediu que a tarefa dos agentes do MI6 se avalie pensando na luta antiterrorista: "têm a responsabilidade de proteger nosso país contra o terrorismo e estes assuntos devem ser debatidos e entendidos nesse contexto".

As declarações de Scarlett acontecem no meio das denúncias desde diferentes foros acerca da participação de agentes britânicos nos maus tratos sofridos pelos detidos no marco da chamada "guerra contra o terrorismo".

Essas denúncias foram recolhidas pela comissão de Direitos Humanos do Parlamento britânico, que recentemente pediu a abertura de uma investigação independente para esclarecê-las.

A comissão tornou público um relatório no qual destacou que há "um inquietante número de alegações críveis" que vinculam os serviços britânicos de inteligência com casos de tortura.

Entre os casos citados se encontra o do marroquino residente no Reino Unido Binyam Mohammed, que foi enviado do Paquistão ao Marrocos antes de ser trasladado à base militar americana de Guantánamo e que denunciou ter sido torturado. EFE fpb/ma

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