Chefe do MI5 se distancia do Governo na questão da prisão sem acusações

Londres, 10 jun (EFE).- O chefe do MI5 (serviço de inteligência britânica), Jonathan Evans, se afastou da posição do Governo trabalhista ao afirmar que ainda não tem uma posição sobre a ampliação do prazo de prisões sem acusações de suspeitos de terrorismo.

EFE |

Em declaração divulgada hoje, Evans tomou a decisão de pronunciar-se sobre o caso após a imprensa dizer no último fim de semana que seu serviço de contra-espionagem não apóia a ampliação do prazo, dos 28 dias atuais para 42.

A mensagem do diretor-geral do MI5 foi divulgada um dia antes de os deputados votarem no Parlamento o plano do Governo para ampliação de prisões - plano que é rejeitado por vários parlamentares trabalhistas e pelos principais partidos da oposição.

O MI5 não é responsável por processar terroristas. "Não é, e nunca foi, o órgão apropriado para assessorar o Governo em limites de detenção sem acusações", declarou o chefe da contra-espionagem britânica.

Evans também falou que não pretende fazer um comentário público nem particular sobre as atuais propostas do Governo. Afirmou apenas que a única coisa que o MI5 deixa claro é o reconhecimento ao trabalho da Polícia, que a cada dia precisa combater de forma mais árdua e mais constante os atos terroristas no mundo.

Algumas organizações humanitárias expressaram sua oposição ao plano, entre elas a Human Rights Watch e a Anistia Internacional (AI).

Em comunicado divulgado hoje, a Human Rights Watch diz que o programa do Governo viola o direito fundamental da liberdade e pode prejudicar os esforços antiterroristas.

"Muitos analistas, inclusive policiais de destaque, afirmam que a ampliação das detenções sem acusações é uma idéia ruim", declarou a investigadora da organização, Judith Sunderland.

"Os deputados deveriam ser firmes ao fazerem oposição a uma proposta perigosa e desnecessária", acrescentou.

Da mesma forma que a Human Rights Watch, a AI pediu aos deputados trabalhistas britânicos rebeldes que mantenham a rejeição à extensão do período de detenção sem acusações.

Em carta enviada a cerca de cinqüenta deputados trabalhistas rebeldes, a AI pede firmeza para impedir que eles (deputados) caiam no "clima de temor que os terroristas querem semear".

A diretora da seção britânica da AI, Kate Allen, declarou que "todos os Estados têm a obrigação de atuar para proteger o povo do terrorismo. Os autores de ataques terroristas devem ser levados à Justiça".

"No entanto, caso os Governos não respondam à ameaça do terrorismo internacional, com medidas que estejam baseadas no respeito pleno aos direitos humanos, arriscam em prejudicar os valores que buscam proteger e defender", declarou Allen. EFE vg/fh/fal

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