Chefe do Hamas anuncia que não vai tentar novo mandato

Grupo islâmico afirma em comunicado que Khaled Mashaal não deseja ser reeleito, porém seu futuro político será decidido pela Shura

iG São Paulo |

Reuters
O líder do Hammas, Khaled Meshaal, após reunião com o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, no Cairo (24/11/2011)
O chefe do Hamas Khaled Mashaal não vai tentar a reeleição para seu cargo, anunciou o grupo islâmico neste sábado, abrindo caminho para uma disputa pela liderança e para uma luta sobre o rumo ideológico da facção.

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No entanto, o anúncio deixa em aberto a possibilidade de que o Hamas peça para que Mashaal continue no poder, embora ele tenha liderado o movimento desde 1996, quase duas vezes mais do que o período permitido pelas regras do grupo. Mashaal não fez comentários sobre a declaração.

O anúncio sobre Mashaal ocorre em um momento de decisões cruciais para o Hamas. Outro movimento semelhante ao seu, a Irmandade Muçulmana, garantiu a vitória no Egito e na Tunísia após os protestos pró-democracia que arrasaram os países do norte da África e Oriente Médio.

Em discussões internas no Hamas, Mashaal elogiou o pragmatismo dos braços políticos da Irmandade Muçulmana ao redor do mundo e pediu ao Hamas que tomasse medidas para se tornar um movimento estritamente político, em vez de manter uma ala militar em paralelo. Isso encaminharia o grupo para uma interrupção aos ataques contra Israel, uma decisão que o Hamas tem evitado fazer.

Mashaal, que ao lado de outras figuras do Hamas está na capital síria, Damasco, por razões de segurança, também levou em consideração uma retomada das relações com seu rival palestino Fatah , chefiado pelo presidente Mahmoud Abbas.

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Esse passo para uma reconciliação com o partido de Abbas, que passou por um enfrentamento contra o Hamas em 2007, encontrou forte oposição dos ativistas de Hamas da Faixa de Gaza, controlada pelos islâmicos há cinco anos.

Mashaal falou primeiro à liderança do Hamas no mês passado que ele não planejava tentar a reeleição como chefe do gabinete, segundo fontes internas do movimento islâmico. Eles falaram em condição de anonimato por não ter permissão para tratar do assunto com a mídia.

O comunicado divulgado neste sábado diz que a decisão final sobre o futuro de Mashaal será deixado nas mãos do conselho do movimento. Não ficou claro se Mashaal fala sério sobre sua saída ou se permitiu o anúncio na esperança de obter uma demonstração de apoio dos seus partidários.

Sob o regimento do Hamas, o chefe do gabinete político só pode ter um mandato de até oito anos, e Mashaal enfrentou duras críticas no passado por ficar mais tempo no poder do que o estabelecido.

Alguns dizem que a Primavera Árabe pode ter sido uma influência na estratégia de Mashaal. "Com esse passo, Mashaal quer enfatizar que o Hamas é um movimento democrático, mas a decisão final será feita pelo Conselho Shura", disse Ahmed Yousef, uma figura proeminente de Gaza que falou com o chefe do Hamas nesta semana.

Não foi esclarecido se e quando as eleições internas do Hamas serão estabelecidas, embora o final do outono tenha sido apontado como uma possível data. Osama Hamdan, autoridade do Hamas no Líbano, disse que a data de uma possível eleição não seria revelada, por razões de segurança.

Possíveis candidatos incluem o vice de Mashaal, Moussa Abu Marzouk, e Ismail Haniyeh, o premiê do Hamas em Gaza.

Com AP

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