Chefe do Fed diz que perspectivas de crescimento são boas

O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, afirmou, nesta sexta-feira, que as perspectivas de crescimento da economia dos Estados Unidos e do resto do mundo são boas, mas que desafios importantes ainda persistem. Depois de se contrair de maneira aguda no ano passado, a atividade econômica parece estar se estabilizando tanto nos Estados Unidos como no exterior, e as perspectivas de um retorno do crescimento no curto prazo aparentemente são boas, disse Bernanke durante um simpósio que reuniu presidentes de vários Bancos Centrais no Estado americano do Wyoming.

BBC Brasil |

Segundo o presidente do Fed, no entanto, os "desafios continuam", o que deve fazer com que a retomada no crescimento seja lenta no início.

"Apesar destes progressos marcantes, desafios importantes ainda continuam. Tensões persistem em muitos mercados financeiros ao redor do planeta, instituições financeiras continuam apresentando perdas, e muitas empresas e famílias estão tendo dificuldades consideráveis para ter acesso a crédito", disse.

"Devido a estes e outros fatores, a recuperação econômica provavelmente será relativamente lenta no primeiro momento, com os níveis de desemprego diminuindo gradualmente dos altos níveis em que se encontram."
Políticas
Bernanke, que classificou a atual crise como ''a pior desde a Grande Depressão'' dos anos 30, afirmou que as medidas tomadas pelos governos dos Estados Unidos e de outros países foram decisivas para que as coisas "não ficassem decisivamente piores".

"Diferentemente dos anos 30, quando as políticas foram passivas em sua maioria e divisões políticas faziam a cooperação internacional difícil, durante o ano passado políticas fiscais, monetárias e financeiras ao redor do mundo foram agressivas e complementares", afirmou.

"Sem estas ações velozes e fortes, o pânico do último mês de outubro teria se intensificado, grandes instituições financeiras teriam falido e o sistema financeiro global estaria sob sério risco", disse Bernanke, que defendeu a implementação de novas regras de regulamentação financeira.

Também nesta sexta-feira, dados divulgados pela Associação Americana de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês) apontam que as vendas de casas construídas nos Estados Unidos cresceram 7% no mês julho, comparado com o mês anterior.

Este foi o maior crescimento mensal já registrado desde que a NAR começou a coletar os dados de casas construídas, em 1999.

Outros dados divulgados pelo governo americano nesta semana, no entanto, apontam que a economia do país ainda permanece frágil.

De acordo com indicadores do Departamento de Comércio americano, houve uma diminuição de cerca de 1% na construção de novas casas nos Estados Unidos em relação a junho. Analistas esperavam um aumento nas construções.

Além disso, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou dados que apontam que os preços no atacado caíram mais que o esperado no mês de julho, depois de três meses de crescimento.

O recuo de 0,9% foi atribuído principalmente à diminuição nos preços de alimentos e energia, sugerindo que a demanda está fraca.

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