Chefe do Exército tailandês assume comando da segurança em Bangcoc

Bangcoc, 16 abr (EFE).- O chefe do Exército tailandês, o general Anupong Paochinda, assumiu hoje o comando da segurança em Bangcoc, depois que o Governo anunciou a operação policial para capturar os líderes dos protestos que tomaram a capital tailandesa nos últimos dias.

EFE |

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, quando o porta-voz do Exército, o general Sunsern Kaewkumnerd, confirmou à imprensa que as tropas preparavam uma operação para despejar os cerca de 10 mil manifestantes que há uma semana permanecem no centro da capital.

Paochinda "vai ser o responsável por supervisionar a segurança", disse o primeiro-ministro, em uma mensagem televisionada.

Até agora, os assuntos de segurança eram competência do vice-primeiro-ministro, Suthep Thaugsuban, considerado "braço direito" do chefe do Executivo.

Desde que chegou ao poder no ano passado, o primeiro-ministro e líder do Partido Democrata, principal formação da coalizão governante, enfrentou resistências da Polícia, que inclusive impediram a nomeação de seu principal responsável.

O Governo da Tailândia sofreu na sexta-feira outra derrota frente aos manifestantes, conhecidos como "camisas vermelhas", depois do fracasso da operação das forças de segurança.

Meia hora depois que o vice-primeiro-ministro anunciou no canal estatal de televisão a iminente captura do grupo de líderes da linha dura da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, um dos mais perseguidos escapou pelo balcão do hotel de Bangcoc no qual estava protegido por dezenas de seguidores.

Os outros líderes, que fazem parte do grupo de 24 pessoas que dirigem os protestos que foram retomados há um mês para forçar o primeiro-ministro a dissolver o Parlamento e a convocar eleições, foram libertados pelos soldados do comando policial.

Contra os três dirigentes da Frente há ordens de busca e captura pela ocupação ilegal do centro comercial de Bangcoc e por sua implicação nos violentos enfrentamentos do fim de semana passado entre os "camisas vermelhas" e as forças de segurança, que deixaram 24 mortos e mais de 800 feridos.

"As fracassadas tentativas de fazer cumprir a lei nos levaram a revisar assuntos estruturais", disse Vejjajiva.

Com um general e um coronel da Polícia nas mãos dos "camisas vermelhas", o porta-voz do Governo, Panitan Wattanayakorn, admitiu em entrevista coletiva que a operação policial tinha "fracassado".

Os dois oficiais da Polícia foram libertados posteriormente. "A partir de agora nossa missão é caçar Abhisit e esta é uma guerra entre o Governo e os camisas vermelhas", disse Arisman, um ex-cantor que, pelas mãos de Shinawatra, entrou na política depois de uma carreira artística com muito menor sucesso que o que desfruta atualmente por ser um dos mais desafiantes líderes dos protestos.

No sábado, cinco soldados, 18 manifestantes e um cinegrafista japonês morreram durante os choques entre os manifestantes e as tropas.

As mobilizações cessaram durante os três últimos dias por ocasião da comemoração do Ano Novo tailandês.

O Exército aproveitou as festividades para retirar os veículos militares abandonados das ruas e destruídos pelos manifestantes desde o fim de semana passado.

Os "camisas vermelhas" anunciaram que aumentarão a pressão sobre o Governo de coalizão com a finalidade de alcançar seu objetivo.

A Frente dos "camisas vermelhas" considera ilegítimo o Governo de Vejjajiva por ter sido eleito por meio de pactos parlamentares e não nas urnas. EFE grc-mfr/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG