Chefe de segurança da ONU se demite após relatório de atentado

Por Patrick Worsnip NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O chefe da área de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) renunciou depois de uma investigação sobre um atentado com carro-bomba que matou 17 funcionários da entidade em Argel ter identificado falhas cometidas pelo departamento dele, afirmou na terça-feira o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon.

Reuters |

Ban, em um comunicado, afirmou que o britânico David Veness, sub-secretário-geral para a Segurança, disse-lhe no dia anterior que assumia a culpa por 'qualquer falha que pode ter ocorrido' envolvendo o atentado de 11 de dezembro do ano passado.

Veness, um ex-chefe da área de combate ao terrorismo junto à Scotland Yard, ocupava o cago havia três anos.

Segundo Ban, o britânico tinha melhorado muito o sistema de segurança da ONU e continuaria a desempenhar suas funções até a escolha de um substituto.

Um painel formado por sete integrantes e encarregado de investigar o ataque realizado contra a sede da ONU em Argel, disse em um relatório que o atentado havia significado um teste para as medidas de segurança adotadas pela entidade.

'Infelizmente, o sistema como um todo e os indivíduos que, tanto na estação de trabalho quanto na sede (da ONU em Argel), eram os responsáveis pelos funcionários da ONU em Argel e pela segurança deles e das instalações da entidade, cometeram erros', afirmou Lakhdar Brahimi, chefe do painel.

'Houve vários indícios mostrando que muitos membros da equipe em postos do alto e do médio escalão podem ter falhado ao não responderem adequadamente ao ataque de Argel, tanto antes quanto depois da tragédia', disse Brahimi, ex-chanceler da Argélia e hoje autoridade da ONU.

O relatório do painel não atribuiu culpas específicas a nenhum indivíduo. Michele Montas, porta-voz da ONU, afirmou a repórteres que um outro 'painel de responsabilização' determinaria nas próximas semanas os culpados por cada falha e as consequências disso.

Segundo o relatório do painel, ainda, não obstante as autoridades argelinas terem garantido a segurança da ONU com eficiência ao longo de 20 anos, elas também cometeram erros no dia 11 de dezembro.

A falta de uma maior proximidade entre os argelinos e a entidade mundial impediu uma cooperação mais profunda na área de segurança, disse.

'Essa debilidade poderia e deveria ter sido ao menos parcialmente evitada com uma postura pró-ativa' do departamento de Veness em Nova York.

O departamento deveria tratar com prioridade o gerenciamento de liderança, o gerenciamento interno e os esforços de supervisão.

Também houve falhas na resposta a alertas e a informações relacionadas com a área de segurança, além de o departamento contar com recursos insuficientes.

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