Chefe de rebelião tutsi é preso em Ruanda

Kinshasa, 23 jan (EFE).- As autoridades de Ruanda prenderam o ex-general Laurent Nkunda, expulso da Forças Armadas da República Democrática do Congo, deixado sem liderança os rebeldes tutsis congoleses do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), aos que até o final do ano passado apoiava o Governo do país.

EFE |

Nkunda foi capturado em território ruandês às 20h30 (horário de Brasília) de ontem, quando fugia da força conjunta congolesa e ruandesa que atua na República Democrática do Congo desde terça-feira, segundo uma nota divulgada hoje pelo chefe de operações destas unidades, o general congolês John Numbi.

A nota especifica que, antes de atravessar a fronteira para Ruanda, Nkunda havia resistido em território da RDC, com três batalhões de seus guerrilheiros, à força conjunta na região de Bunagana, em sua última ação desde que iniciou seu levante contra o Governo de Kinshasa, em 2004.

Em sua nota, o general Numbi conclamou os rebeldes do CNDP leais a Nkunda para que se integrem às Forças Armadas da RDC.

Enquanto isso, segundo a emissora congolesa de rádio "Okapi", patrocinada pela ONU, seguia o trabalho da força conjunta na província oriental congolesa de Kivu Norte, especialmente na região de Rutshuru.

Segundo a emissora, não houve enfrentamentos entre as forças conjuntas congolesa e ruandesas e os rebeldes do CNDP, que ocupavam Rutshuru desde a ofensiva que o grupo guerrilheiro tutsi realizou entre agosto e novembro do ano passado, na qual chegou à entrada de Goma, capital de Kivu Norte.

Agora, o Governo da RDC anunciou que espera que Ruanda extradite o chefe guerrilheiro, contra quem as autoridades judiciais congolesas já haviam emitido uma ordem de detenção em 2005, após acusá-lo de crimes de guerra em Kivu Norte e Sul.

O ministro de Comunicação congolês, Lambert Mende, se disse satisfeito por sua detenção e afirmou que Nkunda e o CNDP causaram "um enorme derramamento de sangue" no leste do país nos últimos cinco anos, motivo pelo qual reivindicou sua extradição.

Entre 3,5 mil e 4 mil soldados ruandeses, segundo a Missão da ONU no congo (Monuc), entraram desde terça-feira na RDC para ajudar as tropas governamentais congolesas a desarmar a guerrilha hutu das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), refugiada em território congolês após o genocídio ruandês de 1994.

Cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados foram assassinados entre abril e julho de 1994 em Ruanda pelo antigo Exército ruandês e a milícia hutu "interahamwe", que fugiram depois para o leste da RDC, onde formaram as FDLR, que, desde então, atacaram povoados ruandeses e congoleses, especialmente os da etnia tutsi.

Nkunda, que faz parte dos banyamulenges -tutsis congoleses- e foi general do Exército a RDC, rebelou-se em 2004, segundo ele, para defender os direitos de sua etnia, após denunciar os ataques contra eles e o abandono do Governo congolês.

Uma facção dissidente do CNDP, liderada por Bosco Ntaganda, que deixou neste mês a guerrilha, enfrentou Nkunda e se uniu às tropas do Governo na semana passada, o que fragilizou a posição do ex-general.

A facção de Nkunda mantinha até então negociações em Nairóbi com o Governo congolês e a mediação da ONU para chegar a um acordo de paz definitivo no leste do Congo, que agora parece desnecessário.

Até novembro, quando assinaram um acordo para colaborar no desarmamento das guerrilhas que atuam na região, a RDC acusava Ruanda de apoiar Nkunda e os rebeldes tutsis do CNDP, enquanto Ruanda acusava a RDC de sustentar as FDLR.

Por sua vez, a Monuc, excluída da operação militar conjunta congolesa-ruandesa, lembrou às partes envolvidas a necessidade de levar em conta a proteção dos civis e garantir o pleno respeito do direito internacional humanitário.

O porta-voz militar da Monuc, tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, afirmo à Agência Efe que a missão negocia com o Governo congolês sua participação na operação para desarmar os rebeldes hutus ruandeses, criticou a opção armada e recomendou buscar uma via pacífica para persuadi-los a depor as armas. EFE py/jp

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