Chefe de polícia do caso Jean Charles renuncia

O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, mais de três anos após a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes por policiais em um trem do metrô da capital britânica. Blair disse que não renunciou por por causa de nenhuma falha sua, mas pensando no interesse do povo de Londres e da Polícia Metropolitana.

BBC Brasil |

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Ele disse que deixou o cargo por não contar com o apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson, que tomou posse em maio deste ano.

"O novo prefeito de Londres deixou claro que gostaria de uma mudança na liderança", disse Blair. "Sem o apoio do prefeito, não considero que eu possa ficar no cargo."
Blair, cujo mandato terminaria em fevereiro de 2010, vai deixar o cargo no dia 1º de dezembro.

Acusações

Desde o assassinato de Menezes, no dia 22 de julho de 2005, Blair vinha sofrendo pressão de diversos setores da sociedade para deixar o cargo.

Em seu pronunciamento, nesta quinta-feira, Ian Blair não mencionou o caso Jean Charles ou outras acusações.

Ele também sofria pressão por outros casos. Em agosto, um dos mais altos oficiais da Polícia Metropolitana, Tarique Ghaffur, britânico de origem asiática, entrou com um processo contra Blair, acusando-o de racismo.

Nesta quinta-feira, o jornal britânico Daily Mail publicou uma reportagem em que acusa Blair de beneficiar um amigo seu com contratos da polícia.

Caso Jean Charles

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Brasileiro foi morto pela polícia britânica em 2005

Mas o caso que mais desgastou Ian Blair foi o assassinato de Jean Charles de Menezes, no mesmo mês em que atentados deixaram mais de 50 mortos no sistema de transporte público de Londres.

O eletricista brasileiro de 27 anos foi morto a tiros pela polícia quando estava sentado no vagão de um trem do metrô na estação de Stockwell, no sul de Londres.

Um dia antes da morte, um ataque suicida frustrado havia ocorrido no sistema de transportes da capital britânica. Em poucas horas, a polícia obteve pistas sobre os suspeitos, que fugiram da cena dos atentados.

Jean Charles de Menezes vivia no mesmo conjunto habitacional de um dos potenciais responsáveis pelos ataques frustrados, Hussain Osman.

Quando saiu de casa na manhã seguinte, o brasileiro foi confundido com o militante. A polícia seguiu Jean Charles até o metrô, onde ele foi morto.

Após quatro inquéritos e um julgamento, a Polícia Metropolitana de Londres foi considerada culpada e multada pela morte do brasileiro, mas nenhum oficial foi punido.

Na semana passada, um novo inquérito começou a ser realizado na Grã-Bretanha para determinar como e por que Jean Charles de Menezes morreu.

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