Chefe de Governo paquistanês rejeita renúncia de ministros da Liga Muçulmana

Islamabad, 13 mai (EFE).- O chefe do Governo paquistanês, Yousef Raza Guilani, rejeitou hoje a renúncia dos ministros da Liga Muçulmana-N (PML-N) de Nawaz Sharif, formação que deixou a porta aberta para retornar ao Executivo caso as condições sejam cumpridas.

EFE |

Os nove ministros que a Liga tem no Executivo foram hoje ao escritório de Guilani para apresentar sua renúncia, como Sharif anunciou ontem ao exigir a volta ao cargo dos juízes que destituíram, em 2007, o presidente Pervez Musharraf.

"O primeiro-ministro rejeitou educadamente as demissões e disse que a decisão de aceitá-las ou não será tomada após a chegada do co-presidente do PPP (Partido Popular do Paquistão) ao Paquistão, o senhor Asif Ali Zardari", informou o Governo em um comunicado.

O PPP, liderado por Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, lidera o Governo de coalizão formado no final de março no país.

A Liga de Sharif, segunda força do Governo de coalizão, exige do PPP a volta dos juízes aos seus postos. Estes foram expulsos por Musharraf em novembro de 2007, quando sua reeleição como presidente dependia do Tribunal Supremo.

Após apresentação e a recusa da renúncia, o ainda ministro da Educação, Ahsan Iqbal (PML-N), explicou à Agência Efe que os membros da Liga continuam "tecnicamente" sendo ministros, embora "funcionalmente" já não o sejam.

"Não somos parte do Governo", disse, no entanto, o ministro de Comunicações Chaudhry Nisar Ali Khan, em entrevista coletiva.

"Seria politicamente incorreto voltar atrás, não há possibilidade de esperar pelas decisões que podem ser tomadas pelo PPP", acrescentou.

O PPP já disse ontem que os cargos dos ministros da Liga não seriam ocupados, ao explicar que ainda existia uma possibilidade de diálogo e acordo entre os dois membros principais do Governo.

Ali Khan admitiu que Guilani e Zardari pediram que espere o último chegar a Islamabad e se reúna amanhã com a cúpula do PPP para discutir a crise de Governo.

"Se há um movimento positivo dentro do PPP sobre a restituição dos juízes, responderemos a isso", comentou Alí Khan.

Sharif e Zardari já negociaram em Dubai e mais recentemente em Londres a situação dos juízes, sem chegar a um acordo que permita seu retorno em 12 de maio, data à qual se comprometeram.

Isto levou Sharif a anunciar que deixava o Governo, conforme afirmou hoje o ministro na entrevista coletiva.

Em comunicado, Guilani informou que falou por telefone com Sharif e que este lhe "assegurou o apoio contínuo de seu partido e a cooperação com o Governo para o fortalecimento das instituições democráticas no país".

Sharif disse "que a decisão de renunciar ao Governo foi dolorosa para ele", acrescentou a fonte.

A Liga Muçulmana-N fica então à espera da decisão do PPP de restituir os juízes do Supremo para resolver se volta ou não ao Executivo.

O porta-voz da PML-N, Siddique-ul-Farooq, disse à Agência Efe que sua formação daria um prazo de três dias ao PPP para cumprir suas exigências.

Por sua vez, o partido de Bhutto argumentou ontem que aspectos legais impediram o retorno dos juízes a seus postos, já que somados aos que ocuparam os cargos vagos em novembro de 2007 superam o limite permitido de membros do Supremo.

O Supremo, dirigido pelo juiz Iftikhar Chaudhry, tinha entre seus casos pendentes um recurso contra a anistia que Musharraf concedeu a então exilada Benazir Bhutto e seu marido, que permitiu o retorno dela do exílio. EFE igb/rb/plc

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