Chefe de gabinete renuncia e é substituído após crise agrária na Argentina

A presidente Cristina Kirchner nomeou como novo chefe de gabinete Sergio Massa, prefeito da periferia de Buenos Aires, após ter aceitado nesta quarta-feira a renúncia de Alberto Fernández, o homem-chave de seu governo, segundo anunciou a agência oficial de notícias Télam.

AFP |

Massa, prefeito da localidade de Tigre (periferia norte) desde 2007, teve uma elogiada gestão à frente da Administração Nacional de Segurança Social (ANSESS), onde foi nomeado em 2002 pelo ex-presidente Eduardo Duhalde (2002/3) e confirmado pelo ex-presidente Néstor Kirchner (2003/7).

Fernández, por sua vez, apresentou sua renúncia depois de uma crise agrária de 130 dias que teve fim com a anulação na segunda-feira dos polêmicos impostos variáveis às exportações de grãos, depois de terem sido rechaçadas pelo Senado, o que significou uma dura derrota para o governo.

"A certeza de que se abre uma nova etapa em seu governo, na qual a senhora podssa contar com um novo elenco de colaboradores para enfrentar essa etapa, me incentiva a colocar a sua consideração minha renúncia com o propósito de facilitar a seleção de suas equipes de trabalho", afirmou Fernández em sua carta de renúncia de quatro parágrafos.

Fernández foi o homem-chave do governo desde maio de 2003, quando assumiu seu cargo junto com o ex-presidente Néstor Kirchner (2003/7) e permaneceu com Cristina, marcando a continuidade entre as duas gestões.

Muito considerado durante toda sua gestão, o funcionário acabou sofrendo um grande desgaste pessoal e político ao encabeçar as difíceis negociações durante a crise com o setor agropecuário.

A mudança no gabinete dará oxigênio ao governo, que sofreu uma dura derrota parlamentar em relação à proposta tributária que era a base da política de Cristina.

Nesta quarta também tomou posse o novo secretário da Agricultura, Carlos Cheppi, em em substituição a Javier de Urquiza.

Cheppi, um engenheiro agrônomo, deixou a presidência do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) para assumir o novo cargo.

A mudança na Agricultura foi bem recebida pelos dirigentes rurais, fortalecidos pela queda no Senado dos tributos variáveis às exportações de grãos, o que forçou o governo a dar marcha a ré numa medida que era o eixo de sua política tributária.

"Ele tem conhecimento profundo do tema e é um homem com quem se pode dialogar. Temos uma longa agenda a discutir depois de tanto tempo afastado do governo por causa do conflito", comentou Luciano Miguens, dirigente da Sociedade Rural, que reúne latifundiários e produtores.

A Argentina deixou sem efeito os impostos que incidiam sobre as exportações de matérias-primas agrícolas, como soja, milho, girassol e derivados, depois da rejeição pelo Senado da iniciativa governamental.

A decisão está acompanhada de um apelo para que se debata uma nova política agropecuária para os pequenos agricultores.

O Governo esperava arrecadar, este ano, cerca de 11 bilhões dos 24 bilhões de dólares gerados pela colheita da soja - apenas com tarifas de exportação, sem contar outros impostos. Agora, a nova medida pode significar uma entrada de 9 bilhões de dólares nos cofres do Fisco, como no ano anterior.

A soja ocupa mais de 50% da superfície cultivada na Argentina e é considerada o 'ouro verde' do século XXI' no país, onde nos últimos meses toda a oposição se uniu aos agricultores para realizar gigantescas manifestações contra a proposta tributária do governo.

A derrota do projeto governamental marcou o pior momento político para a presidente Cristina Kirchner e seu marido.

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