Chefe de gabinete da Argentina renuncia

O chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner, Alberto Fernández, pediu demissão, em caráter irrevogável nesta quarta-feira. Fernández será substituído pelo prefeito da localidade de Tigre, na província de Buenos Aires, Sérgio Massa.

BBC Brasil |

O chefe de gabinete chegou ao governo em 2003 junto com o ex-presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina, e foi o homem forte das duas administrações. Seu cargo é equivalente a chefe da Casa Civil, na estrutura do Palácio do Planalto, no Brasil.

Sua substituição por Massa foi confirmada pela agência oficial Telam.

Um dos seus assessores diretos disse à BBC Brasil que Massa é "pessoa próxima e ligada" tanto a Néstor Kirchner como à atual presidente.

Derrota

A mudança ocorre menos de seis dias depois da pior derrota da era Kirchner, que começou há cinco anos e marcou o momento mais complicado do governo de Cristina.

Ela assumiu o poder em dezembro passado, como sucessora do marido e manteve praticamente todo o seu ministério.

Na quinta-feira passada, o vice-presidente da República, Julio Cobos, que também é presidente do Senado, deu o voto de minerva derrubando o projeto de lei do governo que aumentava os impostos às exportações.

No dia seguinte, Cristina assinou decreto revogando a medida que tinha provocado uma disputa de quatro meses entre seu governo e o setor rural, além de panelaços e a saída do ministro da Economia, Martín Lousteau.

Desde aquela sexta-feira, 18 de julho, especulava-se sobre mudanças no ministério de Cristina.

A oposição e analistas políticos debatiam sobre o papel do ex-presidente - apontado como o mais influente da atual gestão - e ainda sobre o surgimento de um novo tabuleiro político a partir do aumento no total de dissidentes da sua base governista - partido Frente para a Vitória (FPV) e Partido Justicialista (peronismo, o maior e mais forte do país e de onde nasceu a FPV).

"O novo período que se inicia me leva a renunciar com o saudável propósito de facilitar a seleção de sua equipe de trabalho", afirmou Alberto Fernández em sua carta de demissão entregue à presidente.

Agricultura

Nesta quarta-feira, foi empossado o novo secretário de agricultura, Carlos Cheppi, no lugar de Javier de Urquiza.

A mudança também faz parte dos efeitos daquela crise gerada a partir da manifestação dos ruralistas, que tiveram apoio popular, com os panelaços, nas grandes cidades.

Na cerimônia de posse de Cheppi, o ministro da Economia, Carlos Fernández, disse estar convencido de que a nova equipe saberá levar adiante "projetos que estão de acordo com o crescimento econômico sustentável, com inclusão social, registrado no país."
O ministro disse ainda que a Argentina continua disposta a fornecer alimentos para o mundo, mas mantendo o mercado local como prioridade.

A Argentina está entre os maiores produtores de carne, leite e soja do planeta, mas vem registrando queda nestas exportações a partir de medidas adotadas pelo governo, que argumenta assim atender primeiro a mesa dos argentinos e combater a inflação.

"Vivemos um momento contraditório. O mundo quer alimentos, nós temos para vender, mas o setor enfrenta barreiras", disse o economista Ernesto Liboreiro, diretor da Fundação INAI (Instituto Internacional de Negociações para Agricultura), que reúne as principais empresas de produção e exportação do ramo.

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