GENEBRA - A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, fez um chamado ao Irã nesta sexta-feira para que controle a milícia islâmica, acusada de violência contra manifestantes de oposição, e alertou que a situação no país ainda pode se deteriorar.


Pillay também expressou preocupação com o crescente número de ativistas pelos direitos humanos e membros da oposição presos desde a eleição presidencial na República Islâmica, realizada há uma semana, e pediu às autoridades que mantenham o caminho legal.

"É responsabilidade do governo garantir que os membros da milícia e órgãos encarregados de zelar pelo cumprimento das leis não recorram a atos de violência", disse ela em um comunicado.

"Se for observado que eles estão atuando fora da lei, isso poderá provocar uma séria deterioração na segurança interna, o que seria uma grande tragédia e não é do interesse de ninguém."

Ela fez o apelo depois de um encontro não anunciado com a iraniana Shirin Ebadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz. Sua fala também coincidiu com o apelo do líder supremo do Irã , aiatolá Ali Khamenei, pela calma no país, depois de dias de protestos de rua contra o resultado da eleição, vencida pelo atual presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Pillay, uma ex-juíza da ONU para crimes de guerra, disse que "o possível uso ilegal de força excessiva e atos de violência" por alguns membros da milícia Basij podem violar tanto leis nacionais iranianas como leis internacionais.

A Basij é uma força paramilitar formada por voluntários radicalmente leais a Khamenei. O aiatolá tem a palavra final em todas as questões de Estado.

Cinco investigadores da ONU em direitos humanos expressaram, em um comunicado separado divulgado em Genebra, "grave preocupação com o uso excessivo de força policial, prisões arbitrárias e mortes" na última semana.

Essas ações "podem ser uma tentativa direta de sufocar as reuniões e a expressão de opinião no país", disse Frank La Rue, relator especial da ONU para liberdade de opinião e expressão.

Relatos de que o acesso a notícias online e redes de relacionamento na internet haviam sido bloqueados no Irã também foram citados como preocupantes.

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