Chefe de Constituinte do Equador quer que Procuradoria rejeite ação contra si

Quito, 8 set (EFE) - O presidente da Assembléia Constituinte do Equador, Fernando Cordero, pediu hoje à Procuradoria do Estado que rejeite a denúncia contra si por supostas alterações realizadas no texto da nova Carta Magna, que será submetida a referendo em 28 de setembro.

EFE |

Cordero recorreu hoje à Procuradoria Geral do Estado para apresentar sua versão perante a denúncia que há duas semanas apresentou contra si o assembleísta León Roldós, por supostas alterações no texto constitucional que será submetido ao referendo.

Roldós, ex-vice-presidente do Equador e ex-candidato presidencial, do movimento Rede Ética e Democracia (RED), denunciou que o texto divulgado pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) para o referendo não é o mesmo aprovado pelo plenário da Assembléia, da qual ele fez parte e que, atualmente, está em recesso.

Segundo Roldós, uma Comissão de Redação, dirigida por Cordero e encarregada de revisar possíveis erros gramaticais ou de sintaxes do projeto constitucional, supostamente alterou alguns artigos da proposta.

Cordero, em entrevista coletiva, rejeitou as acusações e disse que entregou à Procuradoria todas as atas e transcrições das sessões nas quais foi aprovado o projeto constitucional, e qualificou a denúncia de Roldós como uma "falsidade tendenciosa".

Segundo Cordero, em sua reunião com o procurador-geral, Washington Pesántez, disse que a denúncia recolhe fatos ocorridos em diferentes datas e assinalamentos de diferentes atas de sessões para forçar a acusação.

Por essas razões, afirmou Cordero, pediu a Pesántez que "despreze esta suposta denúncia, esta falsa denúncia do advogado Roldós", a quem pediu para voltar à universidade para que "aprenda bem" o procedimento legal.

Na denúncia foram apresentados "fatos realizados, acontecidos em diferentes datas, em diferentes atas, com diferentes entendimentos", o que inclusive transgride o Código Penal vigente, que obriga a apresentar várias denúncias por cada uma das preocupações que tenha sobre cada parte de sua acusação.

Além disso, ressaltou que as atas entregues ao procurador Pesántez são de domínio público, porque podem ser obtidas livremente e revisadas por qualquer pessoa.

A denúncia contra Cordero também foi apresentada por Roldós a uma missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que vigia o processo do referendo no Equador.

Por sua vez, o ex-presidente da Assembléia Alberto Acosta lamentou que Roldós tenha decidido, no final, rejeitar o projeto constitucional, o qual ajudou a elaborar.

"Grande parte dos textos foram valiosas contribuições de Roldós", lembrou Acosta, e assinalou: "Não sei o que aconteceu no final, como acabou a corda e já não estava comprometido" com a elaboração do projeto constitucional.

A polêmica levantada por Roldós sobre a suposta "fraude" cometida pelo movimento governista Acordo País em torno do texto final do projeto de Carta Magna ocorre em um momento em que as pesquisas concedem a vantagem ao "sim" à proposta, de cara ao referendo.

No último dia para a divulgação de pesquisas no Equador, o voto pelo "sim" ao projeto de nova Carta Magna, impulsionado pelo Executivo, tem um apoio de cerca de 55%, suficiente para aprovar a proposta.

Os partidários do "Não", segundo a maior parte das empresas de consultas, estariam rondando os 26%, como média, enquanto o número de indecisos, o que poderia incidir no resultado final, estaria entre 29% e 35%.

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) lembrou que "nenhum meio de comunicação social poderá publicar resultados de pesquisas ou previsões eleitorais nem se referir a seus dados", 20 dias antes das votações.

Mais de nove milhões de equatorianos estão aptos a comparecer no dia 28 de setembro às urnas e aprovar ou rejeitar a proposta constitucional com a qual o Governo pretende transformar o marco institucional do país. EFE fa/db

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