QUITO (Reuters) - O chefe da assembléia que está reescrevendo a constituição do Equador pediu demissão nesta segunda-feira, expondo uma divisão no governo esquerdista do país, que busca revisar as instituições para garantir mais poderes ao presidente. O presidente Rafael Correa prioriza a aprovação de uma nova constituição que o permitirá se candidatar à reeleição e reescreverá as regras para as indústrias de petróleo e mineração.

Mas o presidente da assembléia, Alberto Acosta, um ex-ministro do petróleo que geralmente deseja mais restrições aos investimentos estrangeiros na mineração que o presidente, disse à Reuters que as cinco semanas restantes para reescrever a constituição não eram suficientes.

Ele deixou o cargo pois seu partido se recusou a garantir uma extensão do prazo. Não é certo se a assembléia, onde o governo é maioria, irá aceitar esta renúncia.

'Isto é irreversível no momento', disse em uma entrevista por telefone. 'Eu não tenho o apoio da liderança do partido'.

Correa já criticou a impopular assembléia, a qual, segundo os equatorianos, tem feito pouco trabalho.

Assim que a assembléia terminar sua constituição, os equatorianos votarão em um referendo, proposto para setembro.

Correa ainda tem muito a fazer para convencer a população a aprovar a constituição, mas sua alta popularidade lhe dá uma boa chance de conseguir o voto, dizem especialistas.

(Reportagem de Alonso Soto e Enrique Andres Pretel)

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