O comandante da polícia haitiana em uma área notoriamente violenta da capital, Porto Príncipe, fez um apelo por ajuda para combater criminosos que escaparam da prisão durante o terremoto da semana passada. O inspetor Aristide Rosemont, chefe da polícia na área da favela de Cité Soleil, disse à BBC que um grande número de gangues criminosas havia começado a roubar e a promover saques na área após o tremor.

Cerca de 5 mil prisioneiros teriam escapado da principal cadeia da capital haitiana após um muro de dez metros de altura ter rachado em consequência do terremoto.

Acredita-se que centenas desses fugitivos sejam criminosos perigosos que pertenciam às violentas e poderosas quadrilhas de Cité Soleil.

Rosemont não especificou a quem seu pedido de ajuda era dirigido, mas seu recado tem como alvo os milhares de soldados americanos enviados ao país desde a semana passada e os 9 mil homens das forças de paz da ONU, lideradas pelo Brasil, que estão no país desde 2004.

Apesar do apelo feito por Rosemont, no início da semana o comandante das forças americanas no Haiti, general Ken Keen, disse que o nível de violência no país após o terremoto seria mais baixo do que antes do terremoto.

O comandante do contingente militar da ONU no país, o general brasileiro Floriano Peixoto, também expressou opinião semelhante, dizendo que a "natureza dos incidentes" de violência registrado nos últimos dias não difere do período pré-terremoto.

Transferência
As autoridades do Haiti anunciaram na quinta-feira que vão transferir cerca de 400 mil sobreviventes do terremoto da capital para campos improvisados em vilas em outras partes do país.

Cerca de 1,5 milhão de pessoas ficaram desabrigadas pelo terremoto de magnitude 7 no dia 12 de janeiro, que pode ter matado até 200 mil pessoas, segundo as estimativas.

Pelo menos 75 mil corpos já foram enterrados até agora em valas comuns, segundo o governo do Haiti. Mas muitos corpos ainda permanecem nas ruas da cidade.

Segundo o governo americano, até agora pelo menos 122 pessoas foram salvas por equipes de busca internacionais, mas as esperanças de encontrar mais pessoas vivas sob os escombros diminuem a cada dia.

Pelo menos 500 mil pessoas estão vivendo atualmente em 447 campos improvisados para desabrigados em Porto Príncipe, de acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM).

De 350 campos avaliados pela OIM, por seus parceiros e pelo governo haitiano, apenas três tinham acesso a água potável.

A organização, ligada à ONU, disse estar distribuindo barracas, cobertores e plásticos para proteção doados pelos Estados Unidos, pelo Japão e pela Turquia, mas advertiu que abrigos mais permanentes serão necessários em breve.

"As barracas não serão suficientes em maio, quando começa a longa temporada de chuvas, nem mais para a frente, quando começa a temporada de furacões, mas neste momento não há muita alternativa", disse o chefe da missão da OIM no país, Vincent Houver.

Aeroportos
Em uma tentativa de garantir a chegada de mais suprimentos de ajuda, o Exército americano está operando quatro aeroportos na área - em Porto Príncipe e em Jacmel, no Haiti, e em San Isidro e em Barahona na vizinha República Dominicana.

Segundo o Comando Sul dos Estados Unidos, 1.400 voos estão em uma lista de espera para pousar no aeroporto de Porto Príncipe, que somente seria capaz de receber de 120 a 140 voos por dia.

Os voos com doações de água potável estão recebendo atualmente a mais alta prioridade para o pouso.

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras afirmou que cinco de seus aviões que levavam um total de 77 toneladas de suprimentos médicos tiveram o pouso negado em Porto Príncipe na última semana, e que apenas um pôde desembarcar.

Preocupações com a segurança dos suprimentos também têm limitado a distribuição de ajuda por terra a partir da República Dominicana.

Segundo o correspondente da BBC Gary Duffy, que está na fronteira com o Haiti, apenas dois comboios protegidos pelas tropas da ONU estão entrando no país a cada dia.

Os Estados Unidos e o Programa Mundial de Alimentos da ONU insistem que a distribuição de comida e de água está sendo feita, mas correspondentes da BBC em Porto Príncipe dizem que muitas pessoas afetadas pelo terremoto ainda não receberam nenhuma ajuda.

Reabertura do porto
Os esforços para reconstrução do principal porto do Haiti, na capital, estão sendo reforçados nesta sexta-feira.

A reabertura do porto é considerada essencial para acelerar a chegada de ajuda humanitária ao país.

Cerca de 50% da capacidade do porto foi destruída com o terremoto, mas os engenheiros concluíram que algumas partes de um pier estão fortes o suficiente para receber uma quantidade limitada de carga.

O porto está operando com 10% de sua capacidade. Apenas quatro embarcações chegaram na quinta-feira, com 124 contêineres de suprimentos dos Estados Unidos, da Holanda e da França.

Porém os correspondentes da BBC dizem que a ajuda que chegou até agora ao porto está sendo estocada no aeroporto, do outro lado da capital, e ainda não foi distribuída aos necessitados.

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