Chefe da Otan diz que aliados seguem no Afeganistão o tempo necessário

Macarena Vidal. Washington, 29 set (EFE).- Os aliados continuarão no Afeganistão o tempo que for necessário para ganhar a guerra, disse hoje o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em reunião na Casa Branca.

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O encontro ocorre no momento em que Obama e seus assessores devem decidir se enviam novos reforços, como solicitou o general Stanley McChrystal, comandante-em-chefe das forças da Otan no Afeganistão.

Até o momento, a Casa Branca insistiu em que revisará cuidadosamente sua estratégia, antes de decidir sobre o envio de tropas adicionais.

Ao final de sua reunião, Obama afirmou hoje que a guerra no Afeganistão "não é só um assunto dos Estados Unidos, mas de toda a Otan".

"É absolutamente essencial que tenhamos sucesso no desmantelamento, interrupção e destruição da rede da Al Qaeda e que colaboremos de modo efetivo com o Governo afegão para oferecer a segurança necessária para esse país", disse Obama.

Já o secretário-geral da Otan expressou seu convencimento de que o sucesso "pode ser alcançado e se alcançará" no Afeganistão.

Os aliados permanecerão "unidos e no Afeganistão o tempo que for necessário para completar nossa missão", ressaltou Rasmussen, que indicou que o presidente americano é "totalmente correto" em buscar uma estratégia para essa guerra antes de decidir se envia mais reforços.

Os dois abordaram também a defesa antimísseis na Europa e o secretário-geral da Otan expressou sua complacência pela decisão de Washington de cancelar o sistema concebido pela Administração de George W. Bush, que enfatizava interceptores posicionados em terra no Leste Europeu.

O novo modelo, que Obama anunciou há duas semanas, colocará ênfase em interceptores posicionados no mar.

Rasmussen disse que o novo sistema "permitirá que todos os países possam participar" e contribuirá para a integração da defesa na Europa.

Obama expressou também sua vontade de construir uma nova relação entre EUA e Rússia, e desse país com a Otan. A Rússia tinha criticado duramente o projeto anterior do escudo antimísseis, ao considerá-lo uma ameaça contra seu território.

Além desta reunião, o presidente americano deve se encontrar ainda hoje com seu secretário da Defesa, Robert Gates, e amanhã se reunirá com sua equipe de segurança nacional.

Estas são as primeiras de uma série de reuniões para decidir a estratégia no Afeganistão, depois das acusações de fraude nas eleições de agosto e que McChrystal tenha advertido que a guerra poderia ser perdida no ano que vem se não houver mais reforços.

A Casa Branca insistiu em que, antes de decidir se haverá o envio de novas tropas ao Afeganistão, é necessário estudar cuidadosamente uma estratégia com garantias de êxito.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que serão necessárias "várias semanas" até uma determinação.

Em março, Obama anunciou uma nova estratégia que enfatizava o treinamento das forças afegãs e o aumento da segurança.

Como parte dessa estratégia, semanas antes, tinha sido divulgado o envio de 21 mil soldados americanos a mais ao Afeganistão, o que, para o fim de ano, aumentará para 68 mil o número de militares dessa nacionalidade no país asiático, a quantidade mais alta desde o início da guerra, em 2001.

A Casa Branca justifica a necessidade de rever a estratégia devido ao aumento da violência nos últimos meses e à incerteza sobre o resultado eleitoral, que deu a vitória ao presidente Hamid Karzai, em meio a acusações de fraude.

A indecisão dos EUA sobre o envio de novas tropas causa mal-estar entre seus aliados da Otan, cujas populações estão cada vez mais céticas sobre a guerra no Afeganistão e que se mostram reticentes a reforçar seus contingentes enquanto Washington não dê um sinal claro de que apoia a missão. EFE mv/an

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