Tóquio, 11 mai (EFE).- O chefe da oposição no Japão, Ichiro Ozawa, anunciou hoje sua renúncia para evitar que uma trama de financiamento ilegal na qual está envolvido impeça seu partido de dar uma reviravolta histórica nas próximas eleições gerais.

As eleições no Japão devem acontecer antes de 10 de setembro, mas o escândalo no qual o ex-secretário e contador de Ozawa, processado em 24 de março, está envolvido estava reduzindo a vantagem nas pesquisas de sua legenda, o Partido Democrático (PD), frente ao Partido Liberal-Democrata (PLD), que governou o país durante mais de meio século.

Ozawa, que começou sua carreira no PLD e esteve em quatro forças políticas, anunciou hoje, em entrevista coletiva, que deixa a liderança para que "haja uma mudança de regime" no Japão e para "unificar" seu partido, que controla o Senado desde julho de 2007.

"Decidi renunciar para evitar confusão no povo japonês", disse o presidente do PD, de 66 anos, no dia em que uma pesquisa publicada pelo jornal "Daily Yomiuri" indicava que 71% dos eleitores japoneses queriam sua renúncia.

Mais uma vez, as redes de corrupção e favores políticos pagos em forma de doações milionárias voltam ao primeiro plano da política japonesa, embora, desta vez, o beneficiado não tenha sido a força governante, o Partido Liberal-Democrata (PLD).

O primeiro-secretário e contador de Ozawa, Takanori Okubo, de 47 anos, foi processado em 24 de março pela Procuradoria de Tóquio por esconder a origem de 35 milhões de ienes (261,9 mil euros) em doações não declaradas da construtora Nishimatsu.

A imprensa japonesa estima que a quantia total será muito maior, ao redor de 300 milhões de ienes (2,23 milhões de euros) que teriam violado a lei de financiamento político, e mais detalhes serão divulgados no julgamento previsto para junho.

Quando seu secretário foi processado, Ozawa descartou renunciar e acusou a Procuradoria de agir sob as ordens do Governo, buscando desprestigiá-lo com um escândalo de financiamento ilegal que não o envolvia.

Na entrevista coletiva na qual anunciou sua renúncia, Ozawa disse que se apresentará às eleições como deputado e negou que vá mudar de partido. EFE psh/an

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