Chefe da ONU vai a Mianmar e vê devastação

MIANMAR - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, viu arrozais inundados e casas destruídas ao visitar na quinta-feira a área mais afetada pelo ciclone Nargis, que passou no começo do mês por Mianmar.

Redação com agências internacionais |

Ban sobrevoou de helicóptero o delta do rio Irrawaddy e visitou um acampamento mantido pelo governo. Ouviu das autoridades que a situação está sob controle, mas disse ainda estar empenhando em dizer aos generais-governantes que a antiga Birmânia precisa se abrir à ajuda internacional.


AFP
alt
incensos no pagode de Shwedagon" src="http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/278/27/27/709694.ban_ki_moon_em_mianmar_mundo_200_300.jpg" proporcao="1.501466275659824"
Ban Ki-moon acende
incensos no pagode de Shwedagon

'Lamento muito, mas não percam as esperanças', disse Ban a uma mulher no acampamento Kyondah, 75 quilômetros ao sul de Yangon, maior cidade do país. 'As Nações Unidas estão aqui para ajudar. O mundo todo está tentando ajudar Mianmar', disse ele.

As equipes de resgate conseguiram atender apenas um quarto dos necessitados. Esse foi o pior ciclone na Ásia em várias décadas, com um saldo de quase 134 mil mortos e desaparecidos.

Para embarcar no helicóptero militar birmanês, Ban trocou o habitual terno por um conjunto esportivo de calça e casaco e um boné. Toda a visita durou três horas e meia, e Ban conversou no acampamento com o ministro local da Energia, general Lun Thi, que lhe disse que 'todos os esforços estão sendo feitos para levar alívio às vítimas e para que o país logo volte ao normal'.

No final de semana, os militares já haviam levado jornalistas ao mesmo acampamento.

Doações chegam devagar

Em Bangcoc, o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) disse que os países estão relutantes em fazer doações a Mianmar por não poderem avaliar por conta própria os estragos. A Asean realiza no domingo em Yangon uma conferência para atrair doações internacionais.

'A preocupação compartilhada é que não sabemos a extensão dos danos. Não sabemos o número de mortes, o número de desaparecidos e o número de desabrigados', disse Surin Pitsuwan, que recebeu das autoridades birmanesas a informação de que o país precisa de 11 bilhões de dólares em ajuda humanitária.

A conferência de domingo coincide com o fim de mais um prazo de um ano de prisão domiciliar contar a líder oposicionista Aung Sann Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz. Ela já está detida há cinco anos, e ninguém espera que ela seja solta.

Na quinta-feira, o Parlamento da União Européia aprovou uma resolução que incentiva o Conselho de Segurança da ONU a adotar o uso da força se isso for necessário para entregar ajuda a Mianmar, apesar da resistência da junta militar à presença de estrangeiros.

O Parlamento não tem poder sobre a política externa do bloco, mas pode influenciá-la.

Na sexta-feira, Ban deve se reunir com o general Than Shwe, chefe da junta militar, em Naypyidaw, a capital construída pelo regime no meio da selva, a 250 quilômetros de Yangon.

O governo permite que aviões pousem com ajuda humanitária, mas reluta em autorizar a ida de mais especialistas ocidentais à zona do desastre. A TV estatal disse que há médicos de Índia, China, Tailândia, Laos e Bangladesh no delta do Irrawaddy, junto com 2.029 especialistas locais e 36 mil voluntários.

A ONU disse que na quinta-feira chegaram a Yangon os primeiros dez helicópteros autorizados pelo governo para levar mantimentos ao delta. Mas o regime continua rejeitando as ofertas das Marinhas da França e dos EUA para levar ajuda diretamente aos sobreviventes.

Entenda mais:

 Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones

Leia também:

Leia mais sobre: Mianmar  - ciclone

Com AFP e Reuters

    Leia tudo sobre: mianmar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG