Chefe da ONU no Haiti reconhece trabalho além da capacidade

Paris, 21 jan (EFE).- O chefe da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), o guatemalteco Edmond Mulet, reconheceu que estão acima do limite por causa da catástrofe provocada pelo terremoto no país caribenho, e acrescentou que, nessa situação, as tropas americanas e canadenses são bem-vindas.

EFE |

Em entrevista publicada hoje pelo jornal francês "Le Monde", Mulet reconheceu problemas de segurança e coordenação da ajuda, e disse que o objetivo é "alimentar 1 milhão de pessoas em duas semanas e 2 milhões antes de um mês".

O diplomata guatemalteco qualificou de "pesadelo" a situação logística para a distribuição da ajuda humanitária.

"O aeroporto é muito pequeno e só tem uma pista. Os dois portos principais da cidade foram destruídos. Falta combustível. Enviamos comboios da República Dominicana, mas o aeroporto de Santo Domingo está lotado", disse.

Mulet descartou qualquer tensão com Washington pelo controle da situação e disse que há um acordo para dividir as tarefas.

"A Minustah vai continuar trabalhando sobre os aspectos de segurança com o Governo e a Polícia. As forças americanas e canadenses se concentrarão sobre a ajuda e a distribuição, porque têm equipes para isso", disse o diplomata, acrescentando que também podem contribuir em trabalhos de segurança, se houver o pedido.

Insistiu em que a presença americana é "temporária", que sua "contribuição é honesta" e que não será mais necessária "em algumas semanas, quando as estruturas da ajuda humanitária foram restabelecidas e a segurança tiver voltado".

Mulet destacou o "clima de trabalho construtivo" entre a missão da ONU e as tropas americanas, e afirmou que, embora controlem o aeroporto, a Minustah tem um representante permanente que "estabelece as prioridades".

O diplomata reconheceu problemas de segurança "normais" em uma catástrofe dessa amplitude, mas disse que a situação está "sob controle".

Insistiu na ausência de "roubos violentos" e duvidou que possa ser considerado furto quando pessoas famintas entram em uma casa ou em uma loja destruída pelo terremoto para poder levar um pouco de alimento.

"Há incidentes, roubos, furtos, mas são casos isolados. Os bandidos não tomaram o controle da cidade", acrescentou.

O diplomata guatemalteco foi nomeado à frente da Minustah após o falecimento do tunisiano Hedi Annabi, que morreu sob os escombros do edifício da ONU em Porto Príncipe, que desabou por causa do terremoto.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado hoje que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras. EFE lmpg/an

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