Chefe da OMC tenta 2o mandato e renova promessa de Doha

Por Jonathan Lynn GENEBRA, Suíça (Reuters) - Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmou nesta terça-feira que vai tentar se reeleger como chefe da entidade e renovou sua promessa de concluir a rodada de negociações de Doha sobre a liberalização do comércio internacional.

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O primeiro mandato de Lamy foi dominado pela Rodada de Doha, lançada sete anos atrás na capital do Catar.

Em carta enviada ao presidente do Conselho Geral da OMC, Bruce Gosper, o diretor-geral afirmou que a conclusão dessas negociações contribuiria muito para estabilizar o sistema multilateral de comércio e para garantir que a abertura do comércio beneficiaria os países em desenvolvimento --metas que Lamy prometeu defender quando assumiu o cargo.

"Eu gostaria neste momento de notificar-lhes minha decisão de tentar ser reeleito como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio para um novo mandato a ser iniciado após expirar o atual, no dia 31 de agosto de 2009", disse na carta, uma cópia da qual foi obtida pela Reuters.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, apontado várias vezes como candidato a ocupar esse cargo, disse ter incentivado Lamy a candidatar-se mais uma vez.

"Acho que ele contribui muito para a organização. Ele é alguém que deu mostras de Justiça, compreensão, coragem, mas que, ao mesmo tempo, também mostrou equilíbrio. De forma que possui as qualidades necessárias para continuar a dirigir esse navio", afirmou o chanceler do Brasil após se reunir com Lamy, horas antes, na terça-feira.

MARATONISTA

Francês e maratonista, Lamy sofreu em julho uma grande decepção quando ministros do Comércio de vários países não conseguiram avançar nas negociações de Doha apesar de terem chegado perto de acordos em várias áreas.

O chefe da OMC argumenta que concluir a Rodada de Doha significaria aumentar a confiança em uma economia mundial hoje claudicante em meio à crise financeira e significaria também evitar o retorno do protecionismo.

Em um discurso proferido na segunda-feira, na Associação de Navegação e Comércio de Genebra, Lamy disse que o atual caos financeiro traduzia-se em uma necessidade de haver mais regulamentação tanto nos setores comercial quanto financeiro.

"O que precisamos desesperadamente em um momento como este é restabelecer a confiança nos mercados assegurando aos investidores que eles continuam a atuar dentro de um sistema internacional de comércio e finanças baseado em regras", disse.

Amorim, um dos maiores entusiastas da Rodada de Doha, disse ter esperanças de que a reunião de cúpula no dia 15 de novembro entre países ricos e pobres, na qual será discutida a crise financeira, também sirva para ajudar os ministros de Comércio a atingir um acordo.

"A única forma de avançar é fazer com que um empurrão seja dado de fora e esse empurrão precisa vir dos líderes mundiais no contexto de salvar o planeta de uma grande crise", afirmou Lamy.

Segundo o ministro brasileiro, a crise financeira ameaçava o comércio ao bloquear o crédito. O progresso rumo a um acordo na Rodada de Doha enviaria um sinal positivo.

Os candidatos ao cargo de diretor-geral da OMC devem fazer campanha nos primeiros três meses de 2009. Um comitê de três embaixadores da entidade, entre os quais o presidente do Conselho, consulta então os países-membros a fim de nomear alguém no dia 31 de maio.

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