Chefe da OEA vai a Honduras para diálogo sobre golpe

Por Mica Rosenberg TEGUCIGALPA (Reuters) - A Organização dos Estados Americanos (OEA) planeja enviar na sexta-feira uma missão a Honduras para exigir a restituição do presidente Manuel Zelaya. Enquanto isso, os líderes interinos do país tentam reunir apoio para o golpe que derrubou Zelaya.

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O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse na Guiana nesta quinta-feira que viajará para Honduras na sexta com funcionários da organização para conversar com o governo instaurado no país.

Zelaya afirmou que Insulza viajará a Honduras para dar um ultimato ao governo interino e não para negociar. "Ele vai informar do ultimato, não vai negociar absolutamente nada", declarou o presidente deposto em entrevista coletiva no Panamá.

A OEA deu um ultimato ao governo interino de Honduras para que reconduza Zelaya ao poder até o próximo sábado, do contrário será suspensa do bloco, do qual fazem parte quase todos os países do hemisfério ocidental, incluindo os Estados Unidos.

O grupo no poder em Honduras rejeitou até agora qualquer tentativa de retorno de Zelaya, que foi deposto por um golpe militar no domingo, em meio a um conflito sobre a reeleição do presidente. Mas a visita da missão da OEA pode representar a primeira oportunidade de um arranjo negociado para a maior crise política na América Central nos últimos 20 anos.

O golpe em Honduras se tornou um teste para a diplomacia regional e o compromisso dos EUA de apoiar a democracia na América Latina. Os defensores do golpe, liderados pelo líder interino, Roberto Micheletti, argumentam que a remoção de Zelaya foi legal, já que foi ordenada pela Corte Suprema depois de o presidente ter tentado estender de modo ilegal seu mandato de quatro anos.

A TV estatal mostrou imagens de uma manifestação de milhares de pessoas contra Zelaya, muitas vestindo roupas com as cores nacionais, o branco e o azul, nas ruas da principal cidade industrial do país, San Pedro Sula.

A emissora ignorou um protesto pró-Zelaya, praticamente do mesmo tamanho, na capital, Tegucigalpa.

"OEA: Nós queremos democracia, não Chávez", dizia uma faixa no protesto contra Zelaya, que era impopular em alguns setores em Honduras, em especial entre a elite conservadora abastada, por sua aliança com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

PRESSÃO EXTERNA

Muitos hondurenhos têm dificuldade de entender por que líderes estrangeiros, desde o presidente norte-americano, Barack Obama, atá a maioria dos dirigentes da América Latina, apóiam Zelaya.

"Lá fora eles só ouvem Zelaya, não escutaram a população. Mas isso não importa. Vamos continuar sozinhos", diz Adela Guevara, empregada de um hotel.

A popularidade de Zelaya caiu para perto de 30 por cento nas pesquisas nos últimos meses depois que ele pressionou por um referendo para permitir a reeleição do presidente. Honduras tem 7 milhões de habitantes e é um país pobre, exportador de café e têxteis.

Desde sua destituição Zelaya diz que planeja o retorno a Honduras como presidente, mas somente para cumprir o resto do mandato, que termina em 2010. O governo interino diz que ele será preso se tentar retornar ao país.

A União Europeia condenou o golpe. A Suécia, presidente de turno do bloco, informou que os embaixadores de todos os 27 países-membros já deixaram Honduras.

O governo interino declarou à Reuters na quarta-feira que "não há nenhuma possibilidade, absolutamente" de Zelaya voltar a ocupar a Presidência. O Congresso hondurenho aprovou um decreto na quarta-feira para reprimir a oposição durante o toque de recolher noturno imposto depois do golpe. O decreto permite que as forças de segurança prendam suspeitos por mais de 24 horas sem acusação e formaliza a proibição do direito de livre reunião à noite.

(Reportagem adicional de Patrick Markey e Anahi Rama)

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