Chefe da Liga Árabe lança apelo à reconciliação aos palestinos

O chefe da Liga Árabe, Amr Mussa, conclamou nesta quarta-feira no Cairo as facções palestinas rivais a se reconciliarem rapidamente para enfrentar a crise na Faixa de Gaza.

AFP |

"Conclamamos os irmãos palestinos a organizarem imediatamente uma reunião de reconciliação", declarou Mussa na abertura de uma reunião extraordinária dos ministros árabes das Relações Exteriores.

Cinco dias depois do início dos ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza, que já deixaram quase 400 mortos, a Liga Árabe realizou esta reunião extraordinária em sua sede, no centro do Cairo.

O apelo de Mussa foi feito depois de uma declaração do chefe da diplomacia saudita, Saud al-Fayçal, afirmando que os países árabes não poderão "estender a mão" aos palestinos enquanto os diferentes grupos estiverem divididos.

"Chegou a hora de as facções palestinas se encontrarem em uma reunião decisiva para favorecer a instauração de um governo de união nacional", acrescentou o ministro saudita.

O Fatah, do presidente palestino Mahmud Abbas, e o Hamas, mantêm um conflito aberto desde a tomada da Faixa de Gaza pelo movimento radical, em junho de 2007. Hoje, Abbas controla apenas a Cisjordânia.

Tanto o secretário-geral da Liga Árabe como o chanceler saudita, que falaram antes do início da reunião a portas fechadas, condenaram a operação israelense.

O príncipe Saud al-Fayçal a qualificou de "massacre horrível", e Mussa considerou que "ela não faz diferença entre as crianças, as mulheres e os idosos".

Com exceção da Somália e de Comores, representados por seus delegados, todos os membros da Liga Árabe enviaram seus respectivos chanceleres à reunião, cujo objetivo é elaborar uma resposta comum aos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza.

A Liga deve se pronunciar sobre uma proposta do Catar de organizar sexta-feira em Doha uma cúpula árabe extraordinária, assim como sobre um novo recurso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Porém, o Egito, criticado pelos radicais do mundo árabe como o Hamas e o movimento xiita libanês Hezbollah, já considerou esta cúpula precipitada, e acusou o Irã de se aproveitar da crise em Gaza para defender interesses próprios.

De acordo com um alto representante da Liga Árabe, Hicham Yussef, dez países árabes já aceitaram oficialmente a organização de tal cúpula. No entanto, é necessário o assentimento de pelo menos 14 países.

"Também será discutido durante a reunião de hoje (quarta-feira) um novo recurso ao Conselho de Segurança para aprovar uma resolução condenando a agressão e pedindo o fim do banho de sangue", destacou à imprensa o embaixador palestino no Cairo, Nabil Amr.

Israel, por sua vez, informou nesta quarta-feira que está estudando diversas propostas internacionais de "trégua permanente sob certas condições", mas descartou a proposta francesa de cessar-fogo provisório.

Enquanto as populações árabes estão muito mobilizadas contra a operação israelense, seus dirigentes têm se mostrado até agora incapazes de tomar decisões, inclusive iniciativas diplomáticas.

"Os países árabes poderiam fazer muito contra Israel, mas como são divididos, não conseguirão fazer nada", considerou Mustafá Kamel al-Sayed, professor de ciências políticas na universidade de Cairo.

Terça-feira, o Egito se recusou a ceder às pressões do Hamas e do Hezbollah, que pediram a abertura permanente de sua fronteira com a Faixa de Gaza, exigindo como condição prévia o retorno da Autoridade Palestina a este território.

O ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Abul Gheit, declarou na terça-feira que pretendia propor um plano de ação baseado em "um cessar-fogo imediato, um retorno à trégua, a abertura dos pontos de passagem e um mecanismo internacional ou árabe para garantir a aplicação deste acordo".

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