Chefe da inteligência americana renuncia

Após dois ataques frustrados nos EUA, Dennis Blair deixa o cargo

iG São Paulo |

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Blair é observado por Obama, em foto de 2009
O diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, Dennis Blair, entregou sua renúncia ao presidente norte-americano, Barack Obama, nesta quinta-feira. Segundo uma autoridade americana, que não quis ser identificada, "vários candidatos fortes" estão sendo entrevistados para substituí-lo.

Militar aposentado, Blair assumiu o cargo em janeiro de 2009. Ele é o terceiro diretor nacional de inteligência, posição criada após os ataque de 11 de setembro numa tentativa de unificar as agências e melhorar a comunicação entre elas.

A notícia sobre a renúncia de Blair é divulgada após duas importantes e recentes falhas da inteligência nos Estados Unidos: a tentativa de ataque a bomba a um avião e o atentado fracassado com carro-bomba na Times Square.

No início de maio, a polícia americana descobriu um veículo estacionado em Times Square - um dos locais com maior concentração de turistas em Nova York - carregado com fertilizantes, fogos de artifício, gasolina, gás propano e relógios. A bomba foi desativada, mas o episódio provocou críticas ao sistema de inteligência, já que o suspeito Faisal Shahzad foi preso dentro de um avião tentando fugir para Dubai. Mesmo com seu nome incluído na lista de passageiros proibidos, ele conseguiu embarcar.

Falha similar ocorreu no Natal de 2009, quando o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, foi preso ao tentar explodir um avião que seguia para Detroit. Em novembro, o pai de Abdulmutallab comunicou à embaixada na Nigéria suas preocupações a respeito do filho, que passou a informação para os EUA.

O nome do nigeriano foi incluído em uma ampla lista de monitoramento, com cerca de meio milhão de pessoas na base de dados, mas não foi passada para uma lista menor de pessoas que precisam passar por revista mais detalhada antes de entrar nos Estados Unidos - ou até mesmo são proibidas de embarcar em voos para o país.

O episódio motivou uma revisão nas normas de inteligência dos EUA. Entre as medidas para impedir novos ataques, anunciadas por Obama em janeiro, estavam: distribuir relatórios de inteligência de forma mais rápida e direta, melhorar o processamento e a integração de dados coletados e fortalecer o critério para inclusão de pessoas nas listas de observação de possíveis terroristas.

Na época, Obama disse que o sistema de inteligência dos Estados Unidos não falhou no momento de coletar informações sobre o nigeriano, mas sim ao conectar e entender as informações já disponíveis. Ele afirmou que seria responsabilidade de todas as agências implementar as novas regras antiterrorismo, indicando que novos erros seriam punidos.

Com Reuters

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