O presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Max Mosley, ganhou na justiça uma ação contra o tablóide britânico News of the World, por ter publicado em uma reportagem detalhes do que afirmou ser uma orgia ao estilo nazista envolvendo Mosley e cinco prostitutas. Segundo a decisão do tribunal, o jornal teria invadido a privacidade de Mosley ao reproduzir, no final de março, fotos e um vídeo em seu site mostrando o encontro de Mosley com as prostitutas.

A decisão favorável a Mosley prevê que a empresa proprietária do jornal pague uma indenização de £ 60 mil (R$ 189 mil) ao presidente da FIA.

Mosley admitiu ter participado de uma sessão sadomasoquista com as prostitutas, mas negou qualquer conotação nazista.

"Não há nenhuma prova de que o encontro do dia 28 de março de 2008 tivesse a intenção de representar uma encenação do comportamento nazista ou uma adoção de qualquer uma de suas atitudes", afirmou o juiz David Eady.

"Não vejo nenhum fundamento para a sugestão de que os participantes tivessem fingido ser vítimas do Holocausto", disse.

Segundo o juiz, "não havia interesse público ou nenhuma outra justificativa para a gravação clandestina do encontro, para a publicação do caso e das fotografias ou para a divulgação do vídeo no site do News of the World - tudo isso em escala massiva".

De acordo com Eady, Mosley poderia esperar privacidade em suas "atividades sexuais, apesar de pouco convencionais".

Interesses
Mosley estava buscando que a sentença, além de indenizá-lo, também punisse o jornal por sua conduta. Ele argumentou que sua vida foi devastada pela reportagem publicada pelo News of the World e pelo vídeo divulgado no website.

No entanto, a decisão judicial foi de apenas compensar Mosley pelos danos causados pelas reportagens.

No tribunal, o chefão da F1 disse que a exposição pública havia sido "totalmente devastadora" também para sua esposa, de 48 anos, e que não conseguia pensar em "nada mais humilhante ou indigno" para seus dois filhos.

O editor do News of the World, Colin Myler, afirmou que acreditava que a história era um caso de "interesse público legítimo" e que havia sido publicada com legitimidade.

"Sentimos que o que vimos e testemunhamos era, com ponderação, uma interpretação razoável do jogo de papéis do Nazismo", afirmou Myler.

Mosley, de 68 anos, é filho de um líder fascista britânico da década de 30, Oswald Mosley.

Ele é o presidente da FIA desde 1993 e seu atual mandato de quatro anos está previsto pra terminar em outubro de 2009.

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