Chávez visita Rússia para discutir acordos sobre armas e energia

Por Denis Dyomkin MOSCOU (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conversará sobre grandes acordos na área militar e de energia com a Rússia durante uma visita de dois dias, com início nesta quarta-feira.

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A cooperação entre a Rússia, segunda maior exportadora de petróleo do mundo, e a Venezuela, que faz parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), tem sido minimizada pelos Estados Unidos, mas é observada com preocupação pela Colômbia, que mantém relações tempestuosas com o vizinho latino-americano.

O principal assessor do presidente Dmitry Medvedev para política externa, Sergei Prikhodko, afirmou que as conversações terão como foco a ampliação da cooperação.

"Foram preparados cerca de 10 acordos que englobam o setor de combustíveis e energia, cooperação técnica militar e finanças," disse ele a jornalistas no Kremlin.

Chávez, que aproveitou sete visitas anteriores à Rússia para criticar os EUA, se encontrará com Medvedev e com o primeiro-ministro Vladimir Putin na quinta-feira. O Kremlin anteriormente buscava se distanciar da retórica anti-EUA de Chávez.

O Kremlin informou que as discussões centrarão o foco em projetos de energia, mineração e defesa, com possíveis acordos sobre cooperação militar e sobre o desenvolvimento do cinturão de petróleo do Orinoco.

Ex-soldado que liderou um golpe frustrado em 1990 antes de vencer a eleição, Chávez quer equipar o Exército venezuelano com mísseis, tanques e submarinos russos.

O Kremlin afirmou que nenhum grande acordo sobre armas era esperado durante a visita, mas que a Rússia poderia emprestar dinheiro à Venezuela para que ela comprasse equipamento militar.

"Nós não descartamos a possibilidade de gastar crédito para as exportações de equipamentos militares russos," afirmou Prikhodko. Ele não deu mais detalhes.

Chávez afirmou que comprará dezenas de tanques russos para compensar o planejado aumento da presença norte-americana na Colômbia.

Venezuela e Colômbia chegaram perto de entrar em guerra no ano passado e o presidente colombiano, Alvaro Uribe, acusou Chávez de apoiar os rebeldes marxistas das Farc.

A estatal petrolífera venezuelana PDVSA e um consórcio de empresas russas devem apresentar uma joint venture para desenvolver um bloco no cinturão do Orinoco este mês.

"Será assinado no futuro próximo um acordo entre o consórcio russo de petróleo e a PDVSA," disse o vice-premiê Igor Sechin a jornalistas em Moscou. "A criação de uma joint venture ainda tem de ser aprovada pelo parlamento da Venezuela."

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