Chávez vence referendo e conquista reeleição ilimitada

A emenda constitucional que coloca fim ao limite para a reeleição aos cargos públicos foi aprovada neste domingo com 54,36% dos votos. Com esta vitória, o presidente Venezuelano Hugo Chávez abre caminho para disputar um terceiro mandato presidencial nas eleições de 2012. A emenda também beneficia a governadores, prefeitos, deputados e vereadores.

BBC Brasil |

Reuters
Chavez discursa no palácio do governo
De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com mais de 92% das urnas apuradas, a opção do "não" obteve 45,63% dos votos deste domingo. A abstenção até este momento foi de 32,95 %.

Simpatizantes do governo já festejavam nos principais Estados do país, antes mesmo do anúncio oficial dos resultados.

Logo depois de votar no referendo, na tarde deste domingo, Chávez disse que o resultado das urnas definiria seu "futuro político". E foi com este clima que os venezuelanos compareceram às urnas. De um lado os chavistas que defendiam a "continuação da revolução bolivariana" sob a liderança de Chávez e de outro, opositores que rejeitavam o que consideram como uma medida para a "perpetuação do presidente no poder".

Antes do pleito, o presidente venezuelano que governa o país há uma década, anunciou que se saísse vitorioso aprofundaria as mudanças rumo à consolidação de uma revolução socialista na Venezuela.

Com a vitória, Chávez interpretará os esultados como um "categórico" respaldo a seu projeto de governo, na opinião do sociólogo Edgardo Lander, professor da Universidade Central da Venezuela.

"O que ainda não podemos prever é que tipo de medidas de radicalização tomará o presidente. Estamos em meio a uma crise financeira, não seria o momento adequado para desencadear crises políticas internas", afirmou Lander à BBC Brasil.

Ao longo da votação, houveram denuncias de que as urnas eletrônicas não registraram a opção escolhida pelo eleitor e esses votos acabaram sendo anulados. Esses incidentes foram qualificados como "fatos isolados" pela organização não-governamental Olho Eleitoral, principal organismo de observação eleitoral do país.

"O processo eleitoral transcorreu com normalidade, com uma importante participação do eleitorado, afirmou à BBC Brasil Luis Lander, analista da ONG.

Filas enormes se formaram em alguns locais de votação em Caracas/Reuters
De acordo com meios de comunicação locais, cinco estudantes opositores foram detidos em Caracas na tarde deste domingo. As causas ainda são desconhecidas.

Esta foi a 15ª eleição no país em dez anos do governo do presidente Hugo Chávez.

De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, 1,6 mil observadores nacionais e 98 internacionais, provenientes de 25 países, acompanharam o pleito deste domingo.

As últimas horas de votação foram marcadas por tensão verbal entre governo e oposição.

Chávez votou e se mostrou confiante na vitória que se concretizou/Reuters
O deputado opositor Ismael Garcia disse "ter certeza que os resultados de hoje serão favoráveis à democracia, e esses serão os resultados que vamos reconhecer", afirmou o deputado, indicando que a oposição não aceitará resultados desfavoráveis à opção do "Não" à emenda constitucional.

Representantes do governo, entre eles o ministro de Relações Exteriores, Nicolas Maduro, afirmaram que já há uma "tendência irreversível" dos resultados e pediu aos competidores aceitarem os resultados das urnas.

Na tarde deste domingo, o movimento estudantil anunciou ter esperado até as 15h ( 16h30) para sair a votar em massa com todos os jovens opositores. A estratégia foi interpretada como um mecanismo para confundir as pesquisas de boca-de-urna realizadas pelo governo. Até o chamado do movimento estudantil cerca de 50% dos eleitores já haviam votado.

Ao longo do dia, na zona leste de Caracas, reduto da oposição, as filas no centro de votação foram diminuindo. Durante a tarde, um carro de som da oposição circulou pelos principais bairros desta zona convocando os moradores a votarem.

No oeste da cidade, nos bairros periféricos de Petare e Catia, havia grande concentração de eleitores durante a tarde. Nestes mesmos bairros, ao longo da manhã, os centros de votação estavam vazios.

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