Chávez vence em 17 Estados, mas perde a capital

CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, obteve no domingo uma vitória nas eleições regionais, conquistando 17 dos 22 Estados. Entretanto, a oposição se impôs em alguns locais-chave que podem atrapalhar o projeto socialista do presidente.

Redação com agências internacionais |

A oposição renovou o controle sobre seus dois redutos regionais e saiu vitoriosa no populoso Estado de Miranda, governado por um aliado próximo a Chávez, e na emblemática prefeitura de Caracas.

A autoridade eleitoral declarou a vitória da oposição também no Estado fronteiriço de Táchira. Candidatos de oposição alegaram ter obtido vitória no Estado industrial de Carabobo e no município de Sucre, que abriga um dos maiores bairros pobres do país.


Opositores celebram a vitória em Maracaibo / AP

Entretanto, analistas vêem a dependência orçamentária do governo central como um obstáculo no caminho da oposição.

"Isto reduz a importância das vitórias da oposição porque será mais difícil para eles constituir um sério desafio ao regime", disse Alberto Ramos, analista do Goldman Sachs.

"Plebiscito"

O presidente, que percorreu o país fazendo campanha para apoiar seus candidatos, transformou as eleições para governadores e prefeitos num plebiscito sobre sua liderança, afirmando que a votação implicava no futuro de sua "revolução socialista".

O novo mapa político do país, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, pode representar um obstáculo para o plano de Chávez de reformar a Constituição para eliminar os limites à reeleição presidencial, especialmente depois que essa possibilidade foi rejeitada pelos venezuelanos em 2007.


Chávez anuncia o resultado das eleições em Caracas, capital da Venezuela / AP

Os adversários do presidente, distribuídos em vários partidos políticos de centro e sem um líder nacional, conquistaram o petroleiro Estado de Zulia, no oeste do país, e Nueva Esparta, conhecido pela turística ilha Margarita.

Apesar de Chávez ter ressaltado a vitória do governo sobre a oposição, o presidente não apareceu na varanda "do povo", palco no palácio presidencial de onde tradicionalmente tem celebrado as vitórias eleitorais.

"Se ratifica o caminho da construção do socialismo bolivariano de nosso projeto histórico na Venezuela e agora nos encarregaremos de aprofundá-lo, de extendê-lo", disse a jornalistas.

Chávez conseguiu manter a maioria de seus redutos eleitorais, como seu Estado natal de Barinas e o petroleiro de Anzoátegui, ao mesmo tempo em que recuperou o poder em dois Estados que estavam em mãos de dissidentes de seu partido.

Desafios

Para analistas, o resultado pode dar um novo fôlego para a oposição tanto pela relevância econômica e populacional dos locais onde saiu vitoriosa, como pelo valor simbólico desses lugares.

"O resultado foi sensacional para a oposição. Ganhar em Caracas e Miranda lhes dá motivos para celebrar e deixar Chávez com um osso duro de roer para vender a idéia de que sua força é incontestável", disse Luis Vicente León, diretor do instituto de pesquisas Datanálisis.

Em dezembro do ano passado, Chávez sofreu uma derrota nas urnas pela primeira vez desde que assumiu o poder em 1999, quando a população rejeitou sua reforma constitucional em um referendo.

Depois de sua derrota, o presidente, de 54 anos, prometeu à população que iria se concentrar em resolver os problemas internos, diminuindo suas habituais viagens ao exterior nas quais busca obter apoio para sua campanha contra o governo dos EUA.

Um ano depois, no entanto, com um custo de vida alto, uma inflação rondando o 25 por cento, a crescente insegurança, um enorme déficit habitacional e as dificuldades do Estado para fornecer serviços básicos parecem ter repercutido no desempenho do líder socialista nas urnas, apesar de sua popularidade ter passado de 50 por cento.

Uma base menor de apoio político e os incipientes problemas econômicos que poderiam se agravar devido à forte queda dos preços do petróleo desenham um cenário desafiante para Chávez, cujo mandato se encerra em 2013.

Jornada eleitoral

Os venezuelanos madrugaram neste domingo para ir às urnas. As longas filas que duraram todo o dia obrigaram alguns centros de votação a permanecer abertos até as 22h (00h30 de Brasília), por determinação do CNE. A legislação venezuelana prevê que as urnas não podem ser fechadas enquanto houver eleitores na fila de votação.


Eleitores votam em pleito regional na Venezuela / AFP


A medida, porém, foi questionada pela oposição. O líder do partido Podemos, Ismael Garcia, que rompeu com a base governista no ano passado, disse que a intenção de deixar as mesas abertas seria para "obrigar" eleitores chavistas a reverter, na última hora, a votação a favor dos candidatos do governo.

De acordo com o CNE, a participação nessas eleições ultrapassou o recorde histórico com mais de 65% do total de 17 milhões de eleitores.

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