Caracas, 29 mai (EFE).- O historiador mexicano Enrique Krauze sustentou hoje em Caracas que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, vê a Venezuela como um capítulo de sua autobiografia e o acusou de se beneficiar de uma concentração de poder.

"A concentração do poder em uma só pessoa é algo que, mais cedo ou mais tarde, este povo vai acabar lamentando", afirmou Krauze em entrevista coletiva realizada durante o "Encontro Internacional Liberdade e Democracia", que começou ontem na capital venezuelana e termina hoje.

Diversos intelectuais e acadêmicos liberais de vários países latino-americanos compareceram ao evento, como o escritor peruano Mario Vargas Llosa, o ex-presidente boliviano Jorge Quiroga e o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda.

Llosa, Castañeda e Krauze aceitaram hoje um convite de Chávez para debater em seu programa de rádio e televisão "Alô Presidente", com o objetivo de tratar deste e de outros assuntos.

Krauze pretende que seja "um debate aberto, público e com as regras claras" com o chefe de Estado em pessoa, e não com outros intelectuais e acadêmicos afins ao socialismo que propõe.

"A não permanência no poder é um fator central da democracia", acrescentou o historiador ao responder a jornalistas que pediram sua opinião sobre o referendo vencido em fevereiro por Chávez, que o permitirá concorrer a um terceiro mandato nas eleições presidenciais de 2012.

Para Krauze, é "muito preocupante o que ocorre na Venezuela, onde o cerco à vida democrática está ganhando força". EFE afs/bba

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