Pequim, 9 abr (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, terminou hoje sua visita à China com uma reunião com o vice-presidente chinês, Xi Jinping, que é considerado o eventual sucessor do líder Hu Jintao à frente do Partido Comunista da China (PCCh) no próximo congresso de 2012.

Xi é também reitor da escola onde se formam todos os dirigentes do PCCh desde a criação da República Popular da China, e que Chávez visitou hoje.

Na escola, Chávez elogiou a visão a longo prazo da China e deu como exemplo um fato de "há 11 anos", quando ele era candidato presidencial: "o embaixador chinês em Caracas foi o único que me recebeu pela porta grande e me deu tratamento de presidente".

"A China sabe ver longe. Após poucos meses de nosso Governo, eu estava aqui e, com Jiang Zemin, começamos uma relação à qual agora com Hu decidimos dar um novo dinamismo estratégico", afirmou, em meio aos aplausos.

"Já criamos o piso, agora vamos para níveis superiores. Entre a China e a Venezuela, existe a aliança perfeita baseada em afeto e solidariedade", acrescentou.

"O leque de cooperação entre os dois países vai do subsolo ao espaço: tirar petróleo, colaborar em tecnologia agrícola, gado e produção ao satélite de comunicações que em 1º de novembro de 2008 originou na Venezuela uma explosão da pátria", disse.

"Por tantas coisas, de uma desconhecida quando éramos colônia dos Estados Unidos, China é amada pelo povo venezuelano", disse.

Na casa de hóspedes estatal de Diaoyutai, onde aconteceu o encontro com Xi, o vice-presidente da China lembrou que há apenas um mês esteve na Venezuela, que - segundo ele - lhe impressionou também por sua gente e pelo carisma de Chávez.

"Quando lhe prometi que viria à China, não achava que voltaria tão cedo", disse o presidente venezuelano, no clima cordial da reunião na qual ambos se chamaram de "amigos".

Na quarta-feira, Chávez disse a Hu, em sua reunião no Grande Palácio do Povo, que "a China é o motor maior que existe para dirigir o mundo além da crise".

Hoje, na escola, afirmou que, "se Washington foi a capital do mundo imperial, Pequim é hoje uma das grandes capitais do mundo multipolar".

O líder venezuelano disse também que em breve chegará uma delegação do Partido Socialista Unido (PSU) venezuelano, graças à oferta de Xi, para se formar na escola, e se pronunciou a favor do aumento do número de intercâmbios de formação.

"Estamos em processo de fundar nossa escola do partido, que quase não tem um ano de vida, e seu núcleo de fundação deve passar por esta, porque começamos a dar forma a um grande partido com uma ideologia clara: o socialismo", afirmou.

O presidente venezuelano aproveitou seu discurso aos dirigentes chineses do presente e do futuro para explicar os eixos do Projeto Nacional Simón Bolívar, que inclui a criação da democracia socialista, o modelo de produção tecnológico, mas social, e uma sociedade livre.

Chávez não esqueceu, em seu último dia de visita à China, da importância cristã do dia de hoje diante dos dirigentes comunistas.

"Hoje, Quinta-Feira Santa, é o dia em que crucificaram Cristo porque veio anunciar o reino da igualdade e da felicidade, que não é outro senão o reino social", disse.

Também hoje, em declarações à imprensa, Chávez considerou "imprescindível" a construção de uma plataforma de alianças entre a China e a América Latina e Caribe.

"Acho que a ideia de um 'fórum América Latina-China' é boa e positiva, mas não a conheço em detalhes", disse Chávez, ao se referir à importância que os presidentes da Costa Rica, Oscar Arias, e do Uruguai, Tabaré Vázquez, dão à criação de um marco de diálogo com a China, como Pequim tem com EUA e União Europeia.

"Além do fórum, que poderia ser um bom instrumento, é preciso ir adiante. Acho imprescindível construir uma plataforma de alianças entre China e América Latina e Caribe como as que estão sendo construídas com os países árabes e da África", disse à imprensa.

Chávez destacou que, "nisso, a Venezuela veio dando passos muito importantes".

Segundo o presidente venezuelano "vamos nessa direção", e prova disso é a visita em maio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a realizada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet.

Na escola do PCCh, Chávez também disse que estipulou com o presidente chinês, Hu Jintao, o aumento da cooperação para conseguir que a China receba, em 2010, 1 milhão de barris diários de petróleo.

"Propus que, diante da situação mundial (de crise), analisamos a possibilidade e decidimos antecipar a meta fixada no convênio estratégico para 2013", disse Chávez. EFE pc/an

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