Chávez teria gasto US$ 33 bilhões para influenciar América Latina

Washington, 24 jul (EFE) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, destinou pelo menos US$ 33 bilhões de fundos públicos a causas voltadas a influir na política de países latino-americanos e outros, disse na quarta-feira à Agência Efe o presidente do Institute for Global Economic Growth, Norman A. Bailey.

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Ele afirmou que a ingerência de Chávez em assuntos de outros países se manifesta através da compra à Argentina de bônus de dívida por "bilhões de dólares" a taxas de juros "mínimas", e mediante contribuições para eleições em Nicarágua, Equador, Peru, Bolívia, Argentina e alguns Estados caribenhos.

O Governo venezuelano também prestou apoio financeiro a grupos insurgentes como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ETA, Hamas ou Hisbolá, mediante a extensiva rede de contatos destas organizações na Venezuela e em outros lugares da América Latina, afirmou Bailey.

Este acadêmico, que também é professor do Institute of World Politics, afirma que a rede de contatos é administrada diretamente pelo Centro Islâmico na Ilha Margarita e suas filiais em Barquisimeto, Anaco, Puerto Ordaz e Puerto Cabello.

Bailey, que forneceu na semana passada sua opinião como especialista à Subcomissão do Hemisfério Ocidental do Congresso americano, onde citou o valor de US$ 33 bilhões que Chávez usou para influir em países da região, também chamou a atenção para a cada vez maior presença iraniana na Venezuela.

Existem vôos regulares que unem os dois países, os iranianos recebem passaportes venezuelanos e outros documentos dessa nação e mais recentemente abriram o Banco Internacional de Desenvolvimento em Caracas cujos diretores são todos iranianos.

"Isto é uma clara e aparentemente bem-sucedida tentativa de (Teerã) de esquivar as sanções financeiras impostas ao Irã pelos EUA e outros países (do Conselho de Segurança da ONU)", disse Bailey.

O especialista adverte de se o Irã entrar em um conflito aberto com os EUA e Israel, terá agora a capacidade, diretamente ou através de seus aliados, de prejudicar os interesses americanos no próprio continente, incluído o Canal do Panamá.

Bailey considera ainda que a Venezuela "representa uma ameaça para a segurança nacional" dos EUA, mas acredita que "não é necessário que o Departamento de Estado americano declare a Venezuela um Estado que patrocina o terrorismo".

Em entrevista à Efe, Bailey explicou que, embora seja óbvio que a Venezuela financia o terrorismo, há outras legislações já existentes que podem ter a mesma função e impor sanções.

Ele se referiu às leis contra a lavagem de dinheiro, ao tráfico de drogas e ao terrorismo que poderiam ser aplicadas ao sistema bancário venezuelano, de modo que os iranianos também veriam dificultada sua tentativa de se esquivar das sanções econômicas.

"Vamos ver outras medidas contra o sistema bancário venezuelano", destacou Bailey.

Em sua opinião, a atitude dos EUA frente à Venezuela se caracterizou pela "passividade", algo que o acadêmico não aprova muito.

No entanto, ele reconhece que, nas últimas semanas, o Departamento de Estado americano mudou de postura e foi mais "duro" com Caracas, ao falar abertamente da ameaça que o país representa para os EUA e a seus interesses no Hemisfério.

Bailey atribui a falta de "agressividade" dos EUA à aparente posição do Governo de que o regime venezuelano "se destruirá" a si próprio e que medidas mais duras levariam diretamente a uma alta no preço do petróleo.

O acadêmico ressaltou que um bloqueio americano ao petróleo venezuelano no hipotético caso que declarasse a Venezuela país patrocinador do terrorismo poderia ser resolvido com a transferência de cerca de 2 milhões de barris ao dia da Reserva Estratégica de Petróleo do Governo dos Estados Unidos.

Para a Venezuela, no entanto, os efeitos seriam devastadores, já que será difícil encontrar outros mercados para suas exportações com as características do petróleo que tem, afirmou Bailey. EFE cae/db

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