Giovanna Ferullo. Caracas, 14 fev (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que completou uma década no poder, quer concorrer a um novo mandato de seis anos para, segundo alega, promover a revolução bolivariana em seu país.

O comandante presidente, como é chamado por seus partidários, pretende ficar pelo menos outra década no poder, porque apenas sua liderança permitirá a consolidação do "socialismo do século XXI", única via para a "paz, a igualdade e a Justiça", segundo ele mesmo disse.

"Estou pronto, e peço a Deus que me dê vida e saúde para continuar à frente do Governo até 2019", afirmou Chávez ao promover a emenda constitucional para a reeleição ilimitada, que será submetida amanhã a referendo.

Se a emenda for aprovada, o governante, de 54 anos, poderá se apresentar à reeleição em 2012 pela terceira vez consecutiva, o que sob as atuais leis é impossível, já que a Constituição permite que um governante tenha somente dois mandatos consecutivos.

Chávez, o ex-militar que liderou um golpe de Estado frustrado em 1992, foi eleito pela primeira vez em dezembro de 1998, ratificado em 2000, triunfou em um inédito referendo revogatório em 2004 e foi reeleito com mais de 63% dos votos em 2006.

O chefe do Estado venezuelano entrou para a política em 4 de fevereiro de 1992, quando, como tenente-coronel dos paraquedistas, apareceu na TV local para reconhecer o fracasso do golpe contra o então presidente Carlos Andrés Pérez (1974-79/1989-93).

Chávez contou que em seus anos no Exército "tomou consciência de desmoralizações e outros abusos", e jurou então lutar para implantar seus ideais bolivarianos.

Fracassada a tentativa de golpe, assumiu a responsabilidade pelo levante e pediu, em seu pronunciamento para a TV, que seus comandados deixassem de lutar, porque a ação estava "momentaneamente" concluída.

Seis anos depois, Chávez chegava à Presidência eleito democraticamente.

Sua única derrota nas urnas aconteceu em dezembro de 2007, quando promoveu uma ampla reforma constitucional, que incluía a proposta da reeleição ilimitada - apenas do Presidente - e que foi rejeitada pelos venezuelanos.

Um ano mais tarde, o carismático líder voltou a promover a iniciativa mediante uma emenda constitucional, o que lhe valeu acusações da oposição sobre seu suposto desejo de ficar eternamente no Governo da Venezuela, o quinto maior exportador mundial de petróleo.

Em sua corrida rumo a uma terceira reeleição, Chávez prometeu seguir com a transferência de "mais poder ao povo" mediante estruturas comunais, tudo a fim de democratizar o acesso aos bens e serviços, e acabar com a exploração dos ricos.

Não está muito claro o caminho a seguir para alcançar esse "estágio superior de felicidade e Justiça", e foram vários os modelos produtivos e sociais apresentados nos últimos 10 anos na busca por esse objetivo governamental.

Chávez definiu o "socialismo do século XXI" como uma mistura de cristianismo e socialismo, que incorpora ainda o pensamento do independentista Simón Bolívar e traços do sentido tribal dos povos aborígines.

Com base em seus discursos, o chefe do Estado pretende que os venezuelanos, de forma voluntária e em liberdade, troquem o "egoísmo pelo amor ao próximo", o "individualismo pela solidariedade" e o "interesse particular pelo coletivo".

Chávez critica frequentemente o desejo de conquistar riqueza pessoal, e diz que a luta pela Justiça social deve ser um compromisso de cada cidadão e não só do Estado. EFE gf/mh

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