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Chávez suspende capítulo de sábado de seu Alô Presidente

Caracas, 30 mai (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, suspendeu neste sábado seu Alô Presidente com duração de quatro dias, que vai terminar amanhã, e a partir do qual ditou uma série de linhas de Governo e protagonizou uma polêmica com o escritor Mario Vargas Llosa.

EFE |

Fontes oficiais informaram à Agência Efe sobre a suspensão da terceira parte do programa, que na quinta-feira passada teve seu primeiro capítulo de cerca de oito horas, e ontem o segundo de mais de seis, sem dar detalhes da causa da decisão.

As fontes confirmaram que Chávez emitirá amanhã seu programa, como o presidente comentou ontem, quando também anunciou que este sábado emitiria o terceiro "capítulo" da edição especial pelo décimo aniversário de seu "Alô Presidente".

Para o analista local, Luis Vicente León, não é uma loucura de Chávez emitir quatro dias de "Alô Presidente", um espaço no qual o presidente pode "contar sua história sem que a oposição tenha a oportunidade para contar a sua".

Em declarações à Efe, León disse que nem todo mundo vai ver esses quatro dias, inclusive entre suas fileiras partidárias, mas sim, com aparições quase constantes na televisão, o chefe de Estado "amplia sua presença" e tem "impacto" entre a população.

Ontem à tarde se gerou grande expectativa nos meios de imprensa políticos e de imprensa em torno do programa de hoje, devido a um eventual debate entre Chávez e o escritor peruano Mario Vargas Llosa, que finalmente não se concretizou.

A ideia surgiu da parte do presidente venezuelano dada a presença em Caracas, em um fórum sobre "Liberdade e Democracia", organizado pela oposição, de cerca de 50 intelectuais liberais, entre eles o escritor peruano.

Nesse fórum, que terminou ontem após dois dias, Vargas Llosa alertou que a Venezuela "poderia se transformar na segunda Cuba da América Latina", e condenou a suposta perseguição do Governo contra meios de imprensa opositores como a rede privada de notícias "Globovisión".

Quando na quinta-feira começou o "primeiro capítulo" de seu programa, Chávez propôs que os intelectuais "de direita" debatessem em seu "Alô Presidente" com os pensadores afins de sua "revolução" que também se reuniam em Caracas para analisar o capitalismo.

Os intelectuais liberais, em boca de Vargas Llosa e dos mexicanos Jorge Castañeda, ex-chanceler, e o escritor Enrique Krauze, aceitaram o convite presidencial para debater, mas pediram que fora entre o literato e Chávez, o que este rejeitou.

O presidente, que chegou inclusive a ressaltar "o grande brilho" literário de Vargas Llosa, mas negou a ele algum valor como político, reiterou ontem aos liberais sua oferta prévia, ressaltando que, em todo caso, poderia ajudar moderando porque o debate devia ser "entre intelectuais" e ele é "presidente".

"Se o presidente (Chávez) só pode debater com presidentes, que bravata a de nos convidar para discutir!", declarou ontem à noite Vargas Llosa, e descartou participar hoje do programa do presidente, ao qual acusou de manter um "monólogo autista".

Outro tema que gerou polêmica estes dias de transmissão especial de "Alô Presidente" foi a exigência de Chávez às autoridades do Supremo, Promotoria e do ente regulador de Telecomunicações (Conatel) que atuem contra os meios de imprensa que "envenenam" o país ou que, caso contrário, renunciem a seus cargos.

Com o tom visceral que o caracteriza, o presidente reiterou que há meios de imprensa que supostamente "incitam" a seu assassinato, e advertiu que se os organismos competentes não atuam então teria que fazê-lo ele mesmo.

A "Globovisión", acusada de "terrorismo midiático" pelo Governo, enfrenta três averiguações abertas pela Conatel nos últimos seis meses, que poderiam acarretar-lhe sanções que vão desde 72 horas de fechamento até a retirada da permissão de transmissão outorgada pelo Estado como administrador do espectro radioelétrico.

Além disso, o presidente da "Globovisión", Guillermo Zuloaga, enfrenta um julgamento por um caso de "armazenamento irregular de 24 veículos", aberto por essas unidades quando foram achados pelas autoridades em uma casa de sua propriedade em Caracas na semana passada.

A detecção desses automóveis foi incluída pelo ministro do Comércio, Eduardo Samán, em uma suposta "bolha financeira" na compra e venda de veículos que seria o responsável da escassez de unidades no mercado local.

Zuloaga, que é dono de duas concessionárias de automóveis, assegurou a legalidade dos carros confiscados, e anunciou que vai processar "por difamação e acusações sem nenhum fundamento" os funcionários que se referiram ao caso publicamente. EFE gf/ma

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