Chávez: situação em Honduras pode acabar em guerra civil

A situação em Honduras deve se complicar e pode acabar levando a uma guerra civil no país, que se estenderá à América Central, advertiu nesta quinta-feira o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

AFP |

"A situação de Honduras tende a se complicar, a se tornar mais tensa (...) e pode terminar em uma guerra civil com risco de se espalhar pela América Central", disse Chávez em La Paz, onde participa das celebrações do bicentenário da independência.

Chávez destacou que Manuel Zelaya, presidente deposto e seu aliado político, está disposto a voltar a Honduras para retomar o poder ou morrer lutando.

O líder venezuelano disse que conversou com Zelaya por telefone na véspera, mas não revelou onde está o presidente deposto.

"Ele (Zelaya) me disse: Hugo, não sei se vou morrer, mas vou voltar a Honduras ...".

Segundo Chávez, Zelaya destacou que "Honduras tem muitas fronteiras, terrestres e marítimas, e não vou ficar dando voltas pelo mundo (...), prefiro morrer no território hondurenho".

Na terça-feira passada, Zelaya convocou os hondurenhos à "insurreição" contra o atual governo, que o derrubou em 28 de junho passado.

"O povo hondurenho tem direito à insurreição, é um direito legítimo e faz parte dos conceitos mais elevados do sentido da democracia diante de um governo usurpador e de militares golpistas", disse Zelaya na Guatemala.

Zelaya incitou à "greve, à manifestação, às ocupações e à desobediência civil", porque são um "processo necessário quando é violentada a ordem democrática em um país".

"Não há que abandonar a luta, é preciso mantê-la até que os golpistas saiam do regime que estabeleceram em nosso país".

Nesta quinta-feira, bloqueios de estradas montados por partidários de Zelaya paralisavam diferentes regiões de Honduras.

Centenas de motoristas ficaram parados na estrada perto de El Durazno, a 5 km ao norte de Tegucigalpa, esperando com paciência que a estrada fosse liberada pelos 5.000 membros de organizações populares que pediam o retorno de Zelaya.

Na capital, os manifestantes bloquearam a saída sul do país, em direção às fronteiras com Nicarágua e El Salvador.

A polícia limitava-se a acompanhar os protestos, sem intervir, para evitar confrontos.

Estava sendo afetado o movimento de mercadorias em Puerto Cortés, o principal do país, uma vez que mais de 1.000 simpatizantes de Zelaya cortaram a estrada que comunica essa cidade com San Pedro Sula.

Também houve paralisações no caminho em direção a Comayagua e Olancho, a 200 km a leste da capital.

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