Chávez reafirma que quer acordo amistoso com a mexicana Cemex

Caracas, 23 ago (EFE) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, reiterou hoje o desejo de seu Governo de alcançar um acordo amistoso para a compra da filial local da mexicana Cemex, desapropriada esta semana no marco do processo de nacionalização da indústria do cimento.

EFE |

Chávez enviou uma "saudação" ao chefe de Estado do México, Felipe Calderón, e lhe disse que, com a desapropriação da Cemex, seu Governo está cumprindo o dever que tem de "defender os interesses" de seu povo, e "não o de alguns empresários".

"Vamos dar uma chance (à Cemex), nós queremos regular isso amistosamente", declarou Chávez em um ato oficial no estado de Zulia (oeste), transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão.

O Estado tomou simbolicamente esta terça-feira as instalações da Cemex, após 60 dias de negociações para a nacionalização da indústria de cimento do país, que resultou em acordos de compra e venda com a suíça Holcim e a francesa Lafarge por um total de US$ 819 milhões.

O vice-presidente do país, Ramón Carrizalez, anunciou ontem que a Venezuela "retomará" na próxima segunda-feira as negociações com a Cemex para "chegar ao preço final de compra", após sustentar uma cordial reunião com o embaixador do México, Jesús Mario Chacón.

Chávez disse este sábado que sua Administração quer "regular amistosamente" a nacionalização da Cemex, como sucedeu com a Holcim e a Lafarge, tanto que esta última fica no país com uma participação acionária minoritária, segundo ressaltou.

Ele afirmou que, até segunda-feira passada, quando anunciou a desapropriação da Cemex, a direção da empresa mexicana manteve uma atitude "prepotente" e "desafiante" perante seu Governo, por isso que não alcançou um acordo amistoso.

"Com respeito tudo é possível", sustentou Chávez, que desenvolve um processo de nacionalização de setores que qualifica de "estratégicos" e que já afetou as telecomunicações, eletricidade, hidrocarbonetos, laticínios, bancos e cimento.

O vice-presidente Carrizalez explicou ontem que, na próxima segunda-feira, uma "nova equipe negociadora" da Cemex e outra venezuelana instalarão "uma comissão de transição", que terá um prazo de "60 dias para negociar", como previsto no decreto de aquisição assinado esta terça-feira pelo Governo.

As autoridades venezuelanas revelaram que a Cemex pedia aproximadamente US$ 1,3 bilhão por seus ativos na Venezuela, número que, segundo seus cálculos, triplica os "US$ 400 milhões" que a empresa vale.

A filial venezuelana da Cemex, com quinze fábricas na Venezuela, controla a metade da produção de cimento do país, enquanto os outros 50% estavam nas mãos da Lafarge e da Holcim.

A Cemex, uma das principais empresas de cimento do mundo, opera em mais de 50 países com vendas anuais de US$ 15 bilhões. EFE gf/ab/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG