O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pôs em revisão nesta quinta-feira as relações com a Colômbia, depois que a Interpol anunciou não ter encontrado provas de modificação nos arquivos de computador apreendidos das Farc e que foram entregues à polícia internacional pelo próprio governo colombiano.

"Por isso, nós somos obrigados a colocar de novo as relações com a Colômbia em uma profunda revisão, de novo, no político, no diplomático, no econômico, tudo", disse o presidente venezuelano, em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros.

"Continuam agredindo, e esse de hoje, esse show vergonhoso, é um novo ato de agressão (...) não têm vergonha", acrescentou o presidente sobre o relatório da Interpol.

Chávez pediu ao diretor da polícia científica venezuelana, Marcos Chávez, e ao ministro do Interior e Justiça que estude a possibilidade de que a Venezuela saia da Interpol e inicie a criação de outra polícia internacional.

"Creio, Marcos, que nós que estamos na Interpol, temos de rever ali, o que é isso, como funciona, se é que vale a pena estar na Interpol com um secretário-geral como esse e quantos mais houver ali, mafioso, vagabundo, ignóbil e não sei quantas coisas mais, por favor, aqui, somos gente séria de verdade, eu quero que você revise isso, Rodríguez Chacín", determinou.

"Nós podemos articular uma organização internacional da Alba e outros países europeus, gente séria, para continuar lutando contra o crime internacional, narcotráfico, lavagem de capitais, mas com a gente", acrescentou Chávez.

Chávez disse ainda que o relatório afetará as relações comerciais com a Colômbia: "Quem vai investir com este clima?! (...) Os empresários colombianos estão perdendo dólares, são os que mais pedem e recebem, mas vamos revisar isto".

"Não são imprescindíveis para nós as importações da Colômbia, podemos conseguir produtos alimentícios, bens e serviços de outras partes do mundo. O Brasil pode nos vender 10 vezes do que compramos da Colômbia".

Na mesma coletiva, Chávez revelou que o acampamento das Farc no território equatoriano que a Colômbia bombardeou em março foi montado para receber os reféns que seriam libertados pela guerrilha.

"A razão fundamental deste acampamento não era agredir a Colômbia, seu objetivo fundamental era o processo de libertação de outro grupo (de reféns das Farc) que iria para o Equador".

O presidente destacou que esta "fórmula de recuperação" dos reféns pelo território equatoriano tinha a aprovação do presidente do Equador, Rafael Correa.

Chávez disse que continuará fazendo gestões para libertar os reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mesmo sem a aprovação de Bogotá.

As Farc mantêm 39 reféns "políticos", entre civis e militares, incluindo a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanos, que propõem trocar por cerca de 500 rebeldes presos.

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