Chávez propõe brincando que a próxima Cúpula das Américas seja em Havana

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, propôs neste sábado aos colegas presentes na 5ª Cúpula das Américas que a próxima edição do encontro aconteça em Havana. A sugestão foi recebida com risos e aplausos dos presidentes na primeira sessão plenária da cúpula, que acontece em um ambiente de cordialidade e respeito, segundo disseram vários líderes presentes.

Redação com agências |


"Vou sugerir uma travessura: por que não fazemos a próxima Cúpula das Américas em Cuba?", perguntou Chávez.

Cuba, o único país do continente ausente na cúpula, foi o tema principal do evento, devido aos pedidos da maioria dos países para que o país retorne ao seio da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O outro pedido insistente aos Estados Unidos foi para que coloque fim ao embargo econômico à ilha.

"Os presidentes sul-americanos coincidiram na necessidade de integrar Cuba a estas cúpulas, e o presidente Obama ficou de estudar o assunto", disse o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez.

Hoje, a Casa Branca afirmou que a melhora das relações com Cuba "depende das ações do Governo cubano".

Reuters
Lula aperta o nariz de Chávez em encontro


Livro para Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu neste sábado um livro de presente de Hugo Chávez. "As veias abertas da América Latina", escrito pelo uruguaio Eduardo Galeano, foi entregue pessoalmente por Chávez a Obama, antes do início da sessão plenária da Cúpula das Américas. Como dedicatória, Chávez escreveu "para Obama, com afeto".

A obra, lançada em 1971, trata da exploração pela qual passaram os países latino-americanos e da extinção dos povos que habitavam a região.

O livro foi entregue durante uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos com os 12 países que formam a Unasul - União de Nações Sul-Americanas, grupo criado em 2008 e do qual o Brasil faz parte.

Amigos?

Chávez e Obama já haviam se encontrado na sexta-feira, pouco antes da abertura do evento. Na ocasião, trocaram apertos de mão e o presidente venezuelano teria dito presidente americano que "gostaria de ser seu amigo".

O encontro deste sábado foi uma sugestão de Obama. No lugar de reuniões bilaterais, o presidente americano participa de encontros com grupos de países. Na sexta, ele conversou com os países do Caribe.

"Queixas" aos EUA

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a conversa foi "cordial", mas houve eventualmente "queixas" por parte de alguns países.

"Não em relação ao presidente Obama, mas em relação, por exemplo, à diplomacia americana", disse Amorim.

Uma das queixas referia-se à postura de "agentes ou agências" americanas. O chanceler Amorim não deu detalhes, apenas disse que alguns chefes de Estado sugeriram uma "mudança de comportamento" na administração americana.

O encontro durou cerca de uma hora e meia. De acordo com Amorim, a maioria dos chefes de Estado presentes fez comentários, entre eles o presidente Chávez e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Amorim disse que a intervenção de Chávez foi "correta e amistosa" e "surpreendentemente curta".

"Todos os presentes fizeram ressalvas de que o presidente Obama tem apenas 100 dias no cargo", disse Amorim.

Já o presidente Obama, de acordo com o chanceler brasileiro, fez comentários sobre cada uma das intervenções, "no sentido de buscar uma cooperação".

"Ele também não deixou de assinalar as realidades que ele tem de enfrentar ao lidar com suas clientelas políticas internas", disse Amorim.

Já o presidente Lula falou sobre a necessidade de um "novo olhar" sobre a América Latina e o Caribe, "sem mitos ou o bicho-papão da Guerra Fria", além de ter mencionado a questão cubana.

"Se o clima da cúpula for esse, o resultado será positivo", resumiu Amorim.

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