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Chávez promete mais revolução contra oposicionistas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, alertou nesta quinta-feira seus adversários que responderá com mais revolução a qualquer tentativa de desestabilização de sua gestão, que tem sido alvo de protestos da oposição. O movimento estudantil vem, desde a semana passada, realizando manifestações contra o governo.

BBC Brasil |

"Não poderão conosco mãozinhas brancas (símbolo do movimento estudantil), burguesinhos, apátridas (...), não poderão", afirmou Chávez durante ato para marcar o 18º aniversário de um fracassado golpe militar liderado por ele, com a presença de milhares de simpatizantes.

"Se se atrevem a buscar os caminhos que vão além da Constituição (...), aprofundaremos então a revolução socialista. Melhor que não nos provoquem, melhor que não se enganem, porque não poderão derrotar-nos."
Chávez convocou seus simpatizantes a construírem a "pátria socialista" em um período de 20 anos, "de 2010 a 2030" - mas não disse se anseia ou não presidir o país em todo esse período.

O mandatário já anunciou sua candidatura a presidente em 2012.

Golpe
O dia 4 de fevereiro foi nomeado pelo governo e seus simpatizantes como "dia da dignidade".

Na data, em 1992, o então tenente-coronel Chávez e um grupo de militares organizaram um levante para derrubar o então presidente Carlos Andrés Perez.

Chávez foi levado à prisão, mas antes, se responsabilizou pela intentona, ao emitir a frase que o projetaria à vida política e o levaria à Presidência seis anos depois: "Por enquanto nossos objetivos não foram cumpridos".

Assim como a maioria dos simpatizantes do governo, o estudante Isaac Martinez, de 22 anos, considera que a chamada Revolução Bolivariana teve seu ponto de partida com o fracassado golpe.

" O 'por enquanto' era uma promessa que estamos concretizando em 11 anos de revolução", disse Martinez à BBC Brasil, enquanto seus colegas cantavam coros contra seus opositores.

Enfrentamento
Do outro lado da cidade, no leste de Caracas, o movimento estudantil opositor, protestava, entre outras coisas, contra o que considera ter sido "a violação da Constituição".

"Não podemos comemorar em hipótese alguma um golpe de Estado", disse à BBC Brasil o estudante Alejandro Vásquez, de 17 anos.

Cerca de mil estudantes opositores saíram às ruas apesar de as autoridades terem se negado a autorizar o protesto.

Segundo a Prefeitura de Caracas, o protesto coincidiu em alguns pontos com a manifestação chavista. A manifestação pró-Chávez, por outro lado, recebeu autorização porque o pedido teria sido apresentando antes que o do outro grupo.

Estudantes e policiais acabaram se enfrentando, e o protesto foi dispersado com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água.

De olho nas eleições legislativas, marcadas para setembro, os estudantes estão protestando contra a suspensão do sinal do canal RCTV, da crise de energia elétrica e de abastecimento de água.

"Estaremos nas ruas, alertando o povo, até as eleições, porque temos que ganhar a maioria (das cadeiras) da Assembleia", disse Alejandro Vásquez.

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