Chávez pede reforma rápida para reeleição

CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu nesta segunda-feira a seus partidários que impulsionem rapidamente uma proposta de emenda constitucional que permita sua reeleição ilimitada.

Reuters |

O militar aposentado autorizou no domingo que "o povo" e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado por ele, iniciem discussões para modificar a Carta Magna. O objetivo fracassou no ano passado, com a tentativa de uma polêmica reforma que ampliava seus poderes e eliminava os limites para a reeleição.

"Se vamos fazer isso, é já, e é para dar outro nocaute neles. Isso pode ser perfeitamente preparado em dezembro e em janeiro, imediatamente quando o ano começar. Um ataque fulminante, relâmpago", disse Chávez na posse de um governador aliado.

Após eleições em que o governo ganhou 17 dos 22 Estados e 80% das prefeituras mas perdeu terreno em distritos-chave, o presidente parece ter ganhado novos brios para comandar o país além de 2013, quando termina seu atual mandato.

Seu partido tem mais de 5,6 milhões de "aspirantes a militantes". Caso a proposta seja bem-sucedida, poderia levar a um referendo em 2009.

"É um chamado do líder desse processo que nós, como Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), estamos aceitando com muitíssima boa vontade, porque é a resposta que nosso povo revolucionário estava esperando", disse horas antes Vanesa Davies, uma das diretoras do partido.

No entanto, ela ressalvou que ainda não estavam decididas as vias pelas quais a Carta Magna de 1999 seria reformada. Os estudos, revelou, começarão na segunda-feira com a presença do próprio Chávez, presidente do PSUV.

Jogo "diabólico"

O presidente, que destinou bilhões de dólares em programas sociais para os pobres, disse no passado que precisa de mais tempo para consolidar sua revolução socialista, e sustenta que se seus inimigos chegarem ao poder, os mais carentes serão esquecidos.

Os adversários de Chávez criticam a intenção de reformar a Carta Magna, argumentando que o país já disse no referendo de dezembro de 2007 que não quer que Chávez governe para sempre e que rechaça o "socialismo do século XXI".

Chávez havia advertido imediatamente após a derrota no referendo que suas intenções de reformar a Constituição estavam vivas, e que insistiria com elas.

O momento de lembrar o tema chegou, e as reações também. O prefeito eleito de Maracaíbo e ex-candidato presidencial em 2006, Manuel Rosales, criticou as novas aspirações de Chávez e pediu que não caiam em seu jogo "diabólico".

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