CARACAS (Reuters) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu neste domingo ao novo líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, que liberte todos os reféns em poder da organização na selva em um ato unilateral, como o primeiro passo para a paz em seu país. Chávez, criticado repetidamente por apoiar as Farc, procurou intermediar no ano passado uma troca humanitária que permitiria a libertação de cerca de 50 pessoas sequestradas por motivos políticos pela guerrilha, em troca de centenas de soldados da milícia presos.

'Eu acredito que chegou a hora de as Farc libertarem todos que mantêm na montanha. Seria um grande gesto, humanitário, em troca de nada. Assim eu proponho agora que aí está um novo chefe', disse Chávez durante seu pronunciamento semanal no rádio e na televisão, em referência a Alfonso Cano, que subiu na hierarquia da organização com a morte de Manuel Marulanda.

'Não é o mesmo estar em uma prisão... e estar em uma montanha', disse o presidente da Venezuela, que lembrou os dois anos e meio em que esteve preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado em 1992. Chávez afirmou que uma das diferenças é que ele podia receber visitas de seus familiares.

Chávez classificou as Farc como uma 'desculpa do império' para ameaçar os governos da América Latina, principalmente o seu, que é um dos mais fortes críticos da administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e que dispõe de grandes reservas de petróleo.

(Por Patricia Rondón Espín)

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