Chávez pede que Farc encerrem luta armada e libertem reféns

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu ao novo líder das Farc que encerre a luta armada iniciada há mais de 40 anos na Colômbia e liberte todos os reféns em seu poder. Chávez, a quem a Colômbia acusa de financiar as Farc - o maior grupo guerrilheiro do país - afirmou qua a guerra de guerrilha é história no programa semanal de rádio e TV Alô Presidente, transmitido neste domingo.

BBC Brasil |

O presidente da Venezuela, que em janeiro atuou como mediador para a libertação unilateral de seis seqüestrados pela guerrilha, fez um apelo para que o novo líder das Farc, Alfonso Cano, liberte o grupo de 39 reféns que ainda estão mantidos em cativeiro pelo grupo armado.

"Vamos soltem toda essa gente, há anciãos, mulheres, soldados doentes que têm 10 anos presos, já basta", disse Chávez, ao afirmar que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e outros mandatários latino-americanos e europeus estão dispostos a trabalhar em favor de um acordo de paz na Colômbia.

"Já basta de tanta guerra, já chegou a hora para sentar-se a falar de paz, chamamos a todos a buscar esse caminho", afirmou.

Ameaça
O presidente ainda responsabilizou a guerrilha pelo que chamou de ameaça dos Estados Unidos na região.

"A luta armada está fora de lugar (...) a guerra de guerrilhas passou à história e vocês das Farc devem saber de uma coisa, vocês se converteram em uma desculpa do império para ameaçar a todos nós, são a desculpa perfeita", afirmou o mandatário venezuelano.

"O dia em que se faça paz na Colômbia acaba a desculpa do império, a principal dela, o terrorismo", acrescentou.

O mandatário venezuelano, que desde o fracassado golpe de Estado de 2002 acusa Washington de querer derrubá-lo, disse que o governo dos EUA utiliza o terrorismo como subterfúgio para ameaçar a seu país com a possível instalação de uma base militar norte-americana na Colômbia.

"Agora estão planejando montar a base militar na Colômbia, já têm várias, mas essa é uma ameaça à Venezuela e a desculpa para isso é o chamado terrorismo na Colômbia", disse.

A polêmica sobre a instalação da base foi iniciada no começo do mês de maio, quando o governo colombiano anunciou a possibilidade de que a base militar norte-americana de Manta, no Equador, fosse transferida para seu território, já que o presidente equatoriano, Rafael Correa, não renovará a licença para a base, que vence em 2010.

"Terroristas"
Essa é a primeira vez que Chávez utiliza um tom enérgico para criticar o método utilizado pela guerrilha fundada há 44 anos por Manuel Marulanda Vélez ou Tirofijo (tiro-certeiro em tradução literal), cuja morte foi anunciada há 15 dias.

Desde 2001, o governo da Colômbia, dos EUA e alguns países da União Européia qualificam as Farc como grupo terrorista. O programa de hoje mostra uma mudança de atitude de Chávez, que há poucos meses pediu ao resto mundo que enxergasse a guerrilha como um exército legítimo.

As críticas de Chávez também ocorrem em meio a um ambiente de tensão entre seu governo e o de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que o acusa de manter vínculos com o grupo armado.

O mandatário venezuelano nega as acusações e afirma que os contatos estabelecidos com as Farc foram realizados apenas quando Bogotá solicitou sua intervenção para mediar o acordo humanitário que previa a libertação de reféns em troca de guerrilheiros presos.

A crise diplomática na região andina, que também envolve o Equador, começou no dia 1º de março, quando o Exército colombiano realizou uma incursão militar em território equatoriano para eliminar umacampamento da guerrilha.

Na operação, foi morto Raúl Reyes, o número dois das Farc.

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