Chávez ordena que embaixador volte à Colômbia e propõe solução a conflito

Caracas, 8 ago (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou esta madrugada o retorno do embaixador venezuelano a Bogotá, menos de duas semanas após retirá-lo, e anunciou que impulsionará junto aos povos propostas de paz que ajudem a conseguir uma saída política para o conflito interno da Colômbia.

EFE |

Chávez anunciou o retorno do embaixador Gustavo Márquez, 11 dias depois de ter bloqueado as relações diplomáticas e comerciais, em resposta ao que qualificou como denúncias "mal-intencionadas" sobre um suposto desvio de armas venezuelanas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o que ontem à noite voltou a negar.

O presidente venezuelano fez o anúncio durante uma longa reunião, no final da sexta-feira, com a senadora colombiana opositora Piedad Córdoba e membros da organização Colombianos pela Paz da Colômbia, na qual falou das implicações para a Venezuela do conflito colombiano e de sua disposição em ajudar para uma saída negociada.

Esse encontro foi precedido por outro, na quinta-feira, entre Chávez e o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, que disse que viajou a Caracas para "abrir uma porta nas relações" bilaterais novamente em tensão.

Samper disse que Chávez manifestou seu desejo de que a ex-chanceler colombiana María Emma Mejía ajude a aliviar as tensões bilaterais, a fim de "desuribizar" o diálogo com a Colômbia, uma possibilidade que a ex-ministra recusou, segundo a imprensa colombiana.

Na opinião do especialista em relações internacionais venezuelano Carlos Romero, Chávez teve que "retificar" a posição "radical" que assumiu frente à Colômbia.

Isso porque "se deu conta de que tinha ido longe demais" com anúncios como "que aplicaria uma política de defesa contra uma agressão militar da Colômbia" e que "levaria as relações comerciais a zero".

Na quarta-feira, Chávez anunciou a suspensão da compra este ano de 10 mil veículos à Colômbia e reiterou sua intenção de substituir as importações colombianas por outras do Brasil e da Argentina, países mais confiáveis, explicou.

Venezuela e Colômbia compartilham 2,219 mil quilômetros de fronteira terrestre, a mais ativa comercialmente da região, e tiveram uma troca comercial de US$ 7,7 bilhões em 2008.

Em entrevista à Agência Efe, Romero disse que as "propostas de solução para o conflito de diversos setores venezuelanos e colombianos deram a entender ao presidente Chávez que não era o momento de aprofundar o conflito com a Colômbia".

Também influenciou, na opinião do especialista, que a recente viagem relâmpago pela América do Sul do presidente colombiano, Álvaro Uribe, "mostrou que há suficientes razões para que a Colômbia suspeite sobre a ambiguidade da Venezuela em relação às guerrilhas".

Ontem à noite, Chávez voltou a insistir que as recentes denúncias colombianas sobre o suposto apoio venezuelano à guerrilha foram feitas por Bogotá "para tentar justificar as bases ianques em território colombiano", que "são uma ameaça" para a Venezuela.

Explicou que a presença na Colômbia de seu embaixador é necessária para "impulsionar" propostas de criar "bases de paz", apresentada por ele mesmo, em contraposição às "bases militares ianques".

Essa suposta pretensão de Bogotá e Washington "está semeando ventos de mais guerra" não só no âmbito interno desse país, mas também no externo, já que favorece os supostos planos dos Estados Unidos de "invadir" a Venezuela para se apoderar de seu petróleo.

"Começamos a armar as bases (de paz) com acampamento e tudo (...) convidamos a conferências e içamos a bandeira", disse Chávez, acrescentando que essa iniciativa poderia ser ampliada ao Brasil, Bolívia e Equador, para que "os próprios povos possam falar da paz na Colômbia e no continente".

O governante, que disse que "deveríamos tomar como política de Estado a paz na Colômbia", também colocou a criação de uma "fundação venezuelana pela paz" em território colombiano, onde, afirmou, deve ser retomada a busca por uma "saída política" para o conflito interno.

"É preciso começar a ver, a buscar uma saída política" para o conflito interno, disse Chávez, que já em 2007 participou junto com Córdoba, durante cerca de quatro meses, como mediador para a libertação de um grupo de reféns das Farc.

Precisamente, a decisão de Uribe de suspender unilateralmente essa mediação de Chávez gerou uma grave crise diplomática bilateral, que só foi resolvida em fevereiro. EFE gf/an

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