O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, orientou o ministro das Relações Exteriores do país, Nicolás Maduro, a preparar a ruptura das relações diplomáticas com a Colômbia. A medida é uma resposta ao anúncio, feito pelo governo colombiano na segunda-feira, de que apresentará uma queixa contra Chávez na Organização dos Estados Americanos (OEA) por suposta interferência nos assuntos internos da Colômbia.

"O governo colombiano agora nos está acusando de ingerência. Há que preparar a ruptura de relações com a Colômbia, Nicolás (Maduro). Isso vai ocorrer", afirmou Chávez em uma reunião com embaixadores transmitida ao vivo pelo canal estatal.

"Essa burguesia colombiana nos odeia e já não há aqui possibilidade de retorno, de um abraço, é impossível", acrescentou.

Interferência
No domingo, em seu programa semanal de rádio e televisão "Alô, Presidente", Chávez indicou que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quer impedir que "o chavismo chegue à Colômbia", mas que insistiria em mudar sua imagem no país vizinho.

Se for concretizada a ruptura, a crise entre os dois países chegará a seu pior momento em um ano. Chávez já havia ordenado o congelamento das relações com a Colômbia, depois que Bogotá acusou seu governo de facilitar o desvio de armas à guerrilha das Farc.

Antes disso, a tensão entre os vizinhos já havia aumentado de maneira significativa depois do anúncio, feito pelo governo colombiano, de um acordo com os Estados Unidos que permitiria o uso de sete bases militares na Colômbia pelo Exército americano.

"Essas sete bases ianques são uma declaração de guerra contra a revolução bolivariana", afirmou Chávez.

"Não vamos continuar com meios termos, que dentro de um mês e meio Uribe venha (a Caracas) ou que diga porque não vou (...) nos acusam de ingerência, anda, quanto cinismo, que governo tão imoral", afirmou o líder venezuelano.

A instalação das bases militares norte-americanas na Colômbia tem sido criticada pelos demais países da América do Sul e será o ponto central de discussão da Cúpula da Unasul, que será realizada em Bariloche, na Argentina, na próxima sexta-feira.

Comércio
A ruptura de relações pode agravar ainda mais a crise econômica do lado colombiano, que já vinha sendo afetado com o congelamento dos canais comerciais e diplomáticos. Isso porque existe um desequilíbrio nas trocas comerciais entre os dois países a favor da Colômbia, com uma balança comercial que ultrapassa os US$ 7 bilhões.

Na semana passada, o Executivo venezuelano anunciou um plano de substituição de importações colombianas, que, de acordo com funcionários do governo, pode ser concluído em um ano.

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