Chávez ordena expropriação de multinacional de alimentos

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou nesta quarta-feira a expropriação da empresa multinacional norte-americana Cargill, produtora e processadora de alimentos no país. A medida, porém, não deixa claro se a expropriação será estendida a todas as unidade de produção de alimentos da empresa ou somente às produtoras de arroz, foco da crise entre empresários e o Executivo.

BBC Brasil |

De acordo com o Executivo venezuelano, a empresa estaria desrespeitando a legislação do país, ao ter sido flagrada por representantes do governo transportando arroz produzido na Venezuela para a fronteira com a Colômbia, em meio a uma crise entre governo e produtores devido ao congelamento de preços.

"A empresa evidentemente queria contrabandear (o arroz) para a Colômbia", informou o vice-ministro de Agricultura, Richard Canán, a Chávez, durante uma reunião do Conselho de Ministros, transmitida pelo canal estatal.

De imediato, Chávez ordenou a expropriação. "Inicie o processo expropriatório da Cargill e comece uma investigação judicial. É uma violação flagrante a toda (a legislação)", afirmou o presidente ao dar instruções ao ministro de Agricultura.

Para concretizar a medida, Chávez deva assinar um decreto declarando a empresa como de utilidade pública e, na sequência, o governo poderia assumir o controle da empresa.

Ainda não se sabe quanto poderia ser pago pela aquisição da companhia, mas o presidente tem advertido que as expropriações poderiam ser pagas com bônus da dívida, e não com dinheiro.

"Não vamos tolerar", afirmou Chávez, ao também advertir a principal empresa produtora de alimentos do país, Polar, que o mesmo poderia acontecer com essa companhia, caso não respeite a legislação.

"Nós poderíamos expropriar todas as fábricas da Polar (...) e pagaríamos com bônus. Essa revolução vai a sério", afirmou Chávez ao dirigir-se ao presidente da empresa, Lorenzo Mendoza.

No sábado, Chávez ordenou a intervenção militar em todos os silos de arroz do país.

Leia também na BBC Brasil: Chávez determina ocupação militar de empresas de arroz
O governo alega que as empresas têm se negado a respeitar o congelamento de preços determinado pelo Executivo e estariam deixando de produzir o arroz branco, produto regulado.

No lugar desse produto, as indústrias estariam processando outros tipos de arroz, que custam o dobro do preço e não são afetados pelo tabelamento.

Para evitar o que considera como "evasão" à legislação, o governo baixou uma lei que obriga as empresas a destinarem 95% da produção ao arroz branco e o restante para as demais variedades.

Representantes dos setores agroindustriais rejeitaram a medida, alegando que a intervenção é contraproducente e viola a liberdade econômica dos produtores.

Nesta quarta-feira, a empresa Polar entrou com um processo no Supremo Tribunal de Justiça, argumentando que a intervenção do governo nas fábricas produtoras de arroz viola os direitos da empresa.

O governo afirma que a ocupação das fábricas é de caráter temporário e está prevista na lei de Soberania Alimentar.

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