Chávez oferece a Belarus matérias-primas em troca de tecnologia

Moscou, 8 set (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ofereceu hoje a seu principal aliado na Europa, o chefe de Estado de Belarus, Aleksandr Lukashenko, matérias-primas em troca da transferência de tecnologia industrial.

EFE |

"Daremos passos adiante, nossa cooperação se fortalecerá e se abrirão novos horizontes. Não há fronteiras para nossa integração", assegurou Chávez durante uma reunião em Minsk com Lukashenko.

Em sua quarta visita à última economia planificada do continente europeu, o presidente venezuelano propôs o fornecimento de matérias-primas - alumínio, ferro e produtos petroquímicos - por via marítima em troca de carros, caminhões e peças de reposição.

"A Venezuela tem montadoras de automóveis. Manufaturaremos todos os caminhões de que precisamos e os exportaremos para o Caribe e a América do Sul", disse Chávez durante sua visita à MAZ, a fábrica estatal bielorrussa de veículos civis e militares, informou a agência oficial "Belta".

O acordo beneficiaria ambos os países, já que Minsk vê na Venezuela a alternativa energética ideal à Rússia, cuja decisão de deixar de subsidiar sua economia com hidrocarbonetos a preços preferenciais ameaça a estabilidade de sua economia.

Da mesma forma que no caso de outros países amigos na América Latina, Chávez decidiu dar um tratamento especial a Lukashenko, no poder desde 1994 e considerado pelos Estados Unidos como o "último ditador da Europa".

A cooperação também seria produtiva para Caracas, que poderá se beneficiar da transferência da tecnologia de fabricação de equipamento industrial, setor no qual a Venezuela está muito atrasada, ao contrário de Belarus.

"Isso ajudará a romper as barreiras entre as economias de ambos os países", afirmou Chávez, que chegou hoje a Minsk procedente da Itália dentro de uma longa viagem pelo exterior de quase duas semanas.

Por sua vez, Lukashenko agradeceu a Chávez pela ajuda financeira e pelo acesso às ricas reservas de petróleo do país sul-americano.

"Que nossa companhia petrolífera mista opere com sucesso e obtenha lucro", em referência às atividades da Petrolera BeloVenezolana (PBV) na Faixa do Orinoco.

"Estamos em dívida contigo e com o povo venezuelano. Para nós, todos os teus pedidos e propostas são leis", disse Lukashenko, que visitou a Venezuela em 2007.

Durante sua visita anterior à Belarus, em julho de 2008, o presidente venezuelano cedeu a Lukashenko a exploração de novas jazidas de petróleo no Orinoco.

Entre janeiro e junho deste ano, as exportações bielorrussas à Venezuela se duplicaram em relação ao primeiro semestre de 2008, enquanto as exportações venezuelanas se limitam quase exclusivamente ao café, segundo a "Belta". Ambos os países assinaram 70 convênios nos últimos quatro anos.

No plano político, Chávez e Lukashenko compartilham suas visões contra o imperialismo e o capitalismo americano, embora ultimamente Belarus tenha começado a estender pontes com a União Europeia, que suspendeu provisoriamente suas sanções em troca de reformas democráticas.

Na quarta-feira, Chávez prossegue sua viagem na Rússia, onde selará vários acordos de cooperação energética, mas não militares, como se previa, segundo anunciou hoje o Kremlin. EFE io/bba

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