Chávez nega motivação política em intervenção em banco

Nelson Mezerhane, titular da instituição, acusa governo de perseguir banco por ele ser acionista da opositora Globovisión

iG São Paulo |

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendeu na terça-feira à noite a intervenção no Banco Federal , negando qualquer "perseguição" política, como denunciou o titular da instituição financeira, Nelson Mezerhane.

"Ele (Mezerhane) anda dizendo, fora do país, que persigo seu banco com a intervenção. Não tenho nada a ver com isso, a culpa é dele por administrar de maneira irresponsável um banco que está em situação de falência", disse Chávez em um ato transmitido pela TV estatal.

AP
Clientes fazem fila do lado de fora de agência do Banco Federal em Caracas, Venezuela (14/06/2010)
O presidente cumprimentou as autoridades financeiras pela intervenção "a tempo" no Banco Federal, em uma operação "para proteger os poupadores e todo o sistema bancário venezuelano".

Mezerhane é um dos principais acionistas do canal Globovisión, que mantém uma linha editorial muito crítica em relação ao governo.

Clientes fizeram fila na segunda-feira do lado de fora das agências do banco para retirar dinheiro antes que a intervenção entrasse em vigor.

Segundo Egdar Hernández, diretor da Superintendência de Bancos (Sudeban), os principais motivos dessa intervenção são "a pouca disposição do Federal de sanear com recursos próprios os problemas de liquidez" e o desejo do governo de "salvaguardar as contas dos clientes do banco".

O Banco Federal, instituição financeira privada de tamanho médio, é o oitavo da Venezuela em volume de depósitos. Ao final de 2009, possuía 152 agências em todo o país e 2.982 empregados, além de lista de clientes próxima a 300 mil pessoas.

A intervenção durará 60 dias e, depois desse período, o governo decidirá pela reabilitação do banco ou por sua liquidação.

Na véspera, Mezerhane se disse "surpreendido" com a decisão do governo, atribuindo-a a motivações políticas, vinculadas a seu posto no canal de televisão, e não puramente econômicas.

"Aqui está a fatura aonde deveríamos chegar e chegamos. Ontem, o presidente havia dito: 'Guerra de assalto aos bancos' e hoje, vocês podem comprovar. Missão cumprida. Dito e feito", denunciou.

"Isso é arbitrariedade, grosseria e falta de respeito. Quem não estiver de acordo com as loucuras (do governo) terá de pagar esse tipo de preço", acrescentou, assegurando que há meses vem se sentindo "asfixiado" pelo Executivo.

Desde novembro de 2009, mais de dez bancos, todos de pequeno e médio porte, sofreram intervenções; alguns deles sendo fechados pelo governo Chávez sob a justificativa de "garantir o saneamento do sistema bancário e financeiro nacional" e evitar abusos.

Essas tomadas de controle, combinadas com a nacionalização do terceiro maior banco do país no ano passado, colocaram cerca de 30% do setor bancários venezuelano sob controle governamental. O Banco Federal representa cerca de 2,8% do mercado.

Globovisión

Na sexta-feira, um tribunal de Caracas determinou a prisão do presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga, por processo iniciado contra o empresário em 2009 e envolvendo 24 veículos mantidos de "forma irregular" em sua residência. O presidente da Globovision está foragido desde então.

Chávez havia advertido para a situação de Zuloaga: "Ele disse que mandei matar pessoas e segue livre. Isto só ocorre neste país (...) mas não pode ser assim (...). Não vou discutir com este burguês, mas há um sistema que deve colocar as coisas no lugar."

*AFP e AP

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