O presidente da Venezuela Hugo Chávez disse, nesta quarta-feira, que suas declarações sobre o conflito com a Colômbia foram manipuladas e teriam dado a volta ao mundo como se ele tivesse feito uma convocação a uma guerra com a Colômbia. Os militares venezuelanos são pacifistas e nos preparamos para a guerra para assegurar a paz, foi isso o que eu disse domingo, disse Chávez, durante um ato público com atletas venezuelanos.

"Mas o que deu volta ao mundo foi que Chávez está chamando a guerra e como ontem eu fiz umas reflexões, hoje disseram que Chávez mudou o discurso, que de manhã chama a guerra e de tarde chama a paz", disse.

As declarações de Chávez sobre o conflito com a Colômbia que geraram polêmica foram feitas no domingo durante o programa de rádio e televisão Alô, Presidente.

Chávez se referiu ao acordo militar firmado entre Colômbia e Estados Unidos, que permitirá às tropas norte-americanas acesso a sete bases militares colombianas, e disse que tanto civis como militares teriam que estar preparados para defender o país.

"Senhores oficiais, a melhor forma de evitar a guerra é se preparando para ela", afirmou Chávez durante o programa.

"Não percam tempo em cumprir com o dever de nos prepararmos para a guerra e ajudar o povo a se preparar para a guerra, porque é uma responsabilidade de todos", disse.

Na noite de terça-feira, no entanto, Chávez esclareceu suas declarações e disse que apenas repetiu a velha máxima "se queres a paz, prepara-se para a guerra".

"Foi sobre essa base que reflexionei. Agora me estão acusando em todos os lados de que estou chamando à guerra", disse, em um ato transmitido pela televisão estatal.

Atitude

Os esclarecimentos de Chávez sobre a polêmica foram bem recebidos pelos colombianos, que consideraram a ação do líder venezuelano como uma "mudança de atitude".

Armando Benedetti, um dos mais de 20 senadores que se reuniram nesta quarta-feira o presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse à BBC Mundo que o seu governo considera que o clima com a Venezuela mudou "completamente".

"Uribe nos disse que as declarações de Chávez significam uma mudança radical de atitude", afirmou Benedetti.

Para o governo venezuelano, a frequência cada vez maior de conflitos na fronteira com a Colômbia e a presença de paramilitares colombianos em território venezuelano é parte de uma "estratégia" que coincide com a presença norte-americana na Colômbia para "desestabilizar" a revolução liderada por Chávez. 

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