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Chávez muda de postura e pede que Farc libertem reféns em troca de nada

Caracas, 8 jun (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu hoje às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que libertem as pessoas que mantém como reféns em troca de nada, o que representa uma mudança de postura frente a sua proposta de outorgar o status de beligerância a esta guerrilha para preparar o caminho rumo à paz na Colômbia.

EFE |

"Nós, e eu pessoalmente, não justificamos, eu nunca faria isto, ter na montanha um grupo de pessoas. Acho que chegou a hora de as Farc libertarem todos os reféns em troca de nada, seria um grande gesto. Afirmo isto agora que há um novo líder do secretariado geral", declarou.

O líder venezuelano fez este pedido às Farc durante seu programa dominical de rádio e televisão "Alô, Presidente".

Ao contrário de janeiro passado, quando pediu à comunidade internacional que retirassem as Farc de suas relações de grupos terroristas e lhe concedessem o status de força beligerante, Chávez desta vez não repetiu as desqualificações contra seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe, a quem chamou naquela oportunidade de "cachorrinho do império", em alusão aos EUA.

Após lembrar que em 2007 esteve "a ponto" de se reunir com o recentemente falecido "Manuel Marulanda", o "Tirofijo", e com um consentimento inicial de Uribe, afirmou que depois seu colega cedeu a pressões "muito duras" de Washington.

A situação vivida pela América Latina e pelos EUA "parece criar condições favoráveis para um processo de paz na Colômbia, com um grupo de países e instâncias que garantiriam os acordos" a serem concretizados, declarou Chávez.

"A esta altura, na América Latina, está fora de ordem um movimento guerrilheiro, e é preciso que se diga isto às Farc", afirmou e disse que "o conflito de guerrilhas passou para a história", o que faz com que um processo de paz definitiva na Colômbia seja possível.

Para isto, declarou que as Farc devem libertar as pessoas que mantêm retidas.

"Vamos, soltem todas estas pessoas, há idosos, mulheres, doentes.

Já está bom", declarou e renovou seu compromisso de facilitar a transferência destas pessoas, entre elas civis e militares, que permanecem nas selvas.

"Estou à ordem Cano para ir a buscar aos retidos", declarou em alusão a "Alfonso Cano", que substituiu "Tirofijo", que morreu em março, no comando das Farc.

"Os guerrilheiros das Farc devem saber de uma coisa: se transformaram em uma desculpa do império (americano) para ameaçar a todos nós. São a desculpa perfeita. No dia em que for feita a paz na Colômbia faltará desculpa para o império", inclusive para manter bases militares na região, afirmou.

O apelo de Chávez à comunidade internacional de conceder o status de força beligerante às Farc não teve eco nem sequer em seu país, segundo uma pesquisa publicada no dia 27 de maio que revelou que 71,2% dos entrevistados rejeitavam esta possibilidade.

A pesquisa da empresa de consultoria Datanalisis indica que apenas 10,6% dos entrevistados afirmaram aprovar que seja outorgado este status às Farc. EFE ar/fal

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